A Economia Segundo Jerome PowellDurante a semana passada, o governador da Reserva Federal Norte-americana, Jerome Powell, acabou por dar o seu testemunho no Senado e no Comitê de Serviços Financeiros da Câmara dos Representantes sobre a sua visão relativamente à economia americana. Entre os vários temas abordados daria destaque a três deles: recuperação da economia, atuação da Fed e expectativas relativamente ao futuro.
Atual e (possível) futura atuação da Reserva Federal
Desde o início da propagação mundial do coronavírus (por volta de março deste ano), a Fed cortou a sua taxa de juro de referência de curto prazo para perto de zero, comprou 2,1 biliões de dólares em obrigações do Tesouro e hipotecas e lançou também inúmeros programas de empréstimos para tentar manter o crédito a fluir sem problemas. Na segunda-feira passada, a Fed anunciou que vai começar a comprar títulos corporativos como parte de um plano para garantir que as empresas podem contrair empréstimos durante a pandemia.
Os responsáveis políticos do Banco Central preveem também que a taxa de juro diretora se manterá perto de zero até 2022. Jerome Powell, reafirmou a sua intenção de fazer o que for preciso (“whatever it takes”) referindo que adotará os mecanismos necessários para atingir os targets de full employment e inflação.
Também na semana passada existiu uma pequena redução do balanço do banco central, no entanto isso nada tem haver com uma possível redução da oferta de dinheiro. O banco central não parou nem abrandou a sua política de impressão de dinheiro, mas isso passou-se devido a uma queda do valor de contratos de recompra pendentes.
Recuperação económica
Enquanto a administração de Trump prevê uma recuperação em forma de V com um forte crescimento na segunda metade deste ano, Powell é mais cauteloso e procura focar as suas preocupações nos trabalhadores com baixos salários. Num relatório que acompanha o testemunho, a Fed menciona que os trabalhadores com rendimentos mais baixos, incluindo as minorias, estavam a ser especialmente atingidos pelas perturbações do mercado de trabalho.
O emprego caiu quase 35% para os trabalhadores que ganhavam salários cujo o seu valor se compreendia no último quarto da pirâmide salarial americana. Em contrapartida, o emprego diminuiu 5% para os trabalhadores com salários mais elevados. Dado que os trabalhadores com salários mais baixos são desproporcionalmente afro-americanos e hispânicos, o desemprego aumentou de forma mais acentuada nesses grupos.
Powell referiu na semana passada que a recuperação poderia ser dolorosamente lenta, com muitos americanos a serem incapazes de recuperar os seus antigos empregos. Essa avaliação ajudou a desencadear uma queda nos preços das ações o que levou o Presidente Donald Trump a criticar as opiniões da Fed. “A Reserva Federal está muitas vezes errada. Teremos um terceiro trimestre muito bom, um quarto ainda melhor, e um dos nossos melhores anos de sempre em 2021.”
Expectativas e impacto de longo-prazo
Powell alertou que quanto mais tempo durar a recessão pior será o efeito no emprego e nas empresas e deixou bem claro que “uma recuperação total é improvável” até que as pessoas estejam confiantes relativamente à contenção da doença, alertando que uma crise prolongada poderia ter graves consequências sobretudo para os trabalhadores com salários mais baixos, que foram os mais atingidos pelo impacto da pandemia.
O presidente da Fed avisou que longos períodos de desemprego “podem afetar as capacidades dos trabalhadores e as suas perspetivas de encontrarem emprego” e destacou ainda que a pandemia coloca “riscos elevados” aos pequenos negócios.
“Se uma pequena ou média empresa entrar em falência porque a economia está a recuperar muito lentamente, perdemos mais do que só essa empresa”, adiantou, vincando que “estes negócios estão no coração da economia e resultam do trabalho de várias gerações”.
Fed
Helicopter Money: se não for agora, alguma vez será?Na semana passada escrevia sobre a possibilidade destas medidas de expansão monetária e fiscal não passarem apenas de ações de sobrevivência com pouco valor acrescentado e estímulo económico. Do lado da procura, as pessoas têm agora uma vida menos ativa e com a incerteza relativamente ao futuro acabam por consumir menos; enquanto do lado da oferta, por mais baixos que sejam os juros, empresas com problemas de solvência ou de falta de liquidez têm sempre de se endividar para poder pagar salários.
Existe, no entanto, uma forma de possivelmente atenuar os efeitos menos positivos destas medidas. Helicopter Money refere-se à injeção de capital na economia diretamente nos bolsos dos agentes económicos. Isto aumentaria o dinheiro disponível, e consequentemente, levaria a uma maior procura e mais baixa necessidade de endividamento das empresas. Ben Bernanke chamou-lhe um programa fiscal financiado por dinheiro (2016). A razão por detrás disso é porque podemos pensar em Helicopter Money como uma expansão fiscal. O banco central compraria obrigações do tesouro em open market operations e o estado reduziria impostos na mesma quantia.
Olivier Blanchard (2019), ex-economista chefe do FMI, refere duas formas possíveis de isto acontecer:
Indireta: Obrigações do tesouro seriam emitidas por um estado que seriam posteriormente compradas pelo banco central. A dívida é do governo para com o banco central. O banco central vê um aumento do seu passivo (quantidade de dinheiro) assim como do seu ativo (obrigações do tesouro) ficando o seu net igual;
Direta: Banco central transfere dinheiro diretamente para as famílias. Não existe dívida por parte do governo para com o banco central. Existe um aumento do seu passivo (quantidade de dinheiro) sem que aconteça um aumento do seu ativo, diminuindo então o seu net.
Existem, no entanto, desvantagens em cada um dos cenários. No primeiro, a diminuição da posição líquida de capital do banco central é algo que não é do interesse dos bancos centrais. Fá-los parecer mal geridos e põe em causa a sua independência. Já no método indireto, o governo tem o incentivo de aumentar impostos uma vez que existe um aumento da sua dívida. Dessa forma, os consumidores estariam mais dispostos a gastar esse dinheiro na forma direta.
Depois existem também barreiras à sua implementação. Helicopter Money acaba por ser uma forma de contornar regras de consolidação orçamental e certamente alguns países europeus não estariam muito abertos a que isso acontecesse. Para além disso, questões mais práticas também seriam precisas responder: Quem daria informação das famílias aos bancos centrais? Quem é que recebe essa quantia, cada indivíduo ou o agregado familiar? Precisaria de aprovação em parlamento? O BCE tem a capacidade para o fazer? Todos os países receberiam a mesma quantia?
Também há uns meses, escrevia sobre a possibilidade de se observar Helicopter Money na Zona Euro, referindo que apenas perante uma grande crise seria possível ver esta medida em ação. No entanto, na Europa as decisões políticas demoram o seu tempo a serem tomadas, e uma política desta magnitude seria altamente complicada de ver implementada. No entanto, ela ajudaria certamente a mitigar os efeitos negativos desta pandemia de uma forma mais eficiente do que qualquer outra medida. Infelizmente, a crise chegou e será interessante observar se os conservadores políticos europeus irão abrir mão a um precedente nunca antes visto.
Não são medidas de estímulo, mas de sobrevivênciaÉ com alguma preocupação que a propagação do vírus se encontra ainda do lado esquerdo da bell curve e que ainda à um longo caminho a percorrer. Pensa-se que o pico será dentro de quatro a oito semanas, sendo também previsível que várias medidas impostas de contenção do vírus se mantenham por algum tempo depois. Muitos bancos centrais já tomaram várias medidas expansionistas e existe a promessa de estímulos fiscais por parte de praticamente todos os governos, no entanto isso em nada altera o estado de pânico que se vive nos mercados financeiros e as perdas observadas em vários mercados acionistas já vão próximas dos 30%.
Na semana passada, escrevia acerca de como a redução da taxa de juro por parte da Fed em 50 pontos base tinham trazido toda a yield curve para baixo e não apenas as yields de mais curto-prazo, sinalizando precisamente que um longo período de baixo crescimento se adivinhava. É interessante olhar como foi também a resposta desta curva à nova ação de domingo passado do banco central americano em voltar a reduzir a sua taxa de juro diretora para um intervalo 0%-0,25%. A mesma voltou a baixar em todas as maturidades tendo as yields diminuído mais no curto-prazo do que a longo-prazo, indicando que não só o baixo crescimento irá ser prolongado, mas também que a recessão está aqui à porta e será mais severa do que inicialmente pensado. Já em Portugal, é possível observar uma diminuição das yields a 6 meses e a um ano, mas também a um aumento ao longo de todas as outras maturidades – isto tem levado a um declive mais ingreme da curva.
As implementações destas medidas são necessárias, no entanto têm servido também de confirmação de que a atual conjuntura económica é um problema sério. Apesar de ser favorável para as empresas pagarem uma taxa de juro mais baixa pelos seus empréstimos, não é garantido que o mesmo aconteça com as aquelas que já emitiram obrigações. Nos Estados Unidos, por exemplo, o spread de crédito (diferença entre a yield paga por uma obrigação do tesouro comparativamente a uma obrigação corporativa da mesma maturidade) aumentou num dia o mesmo que cresceu ao longo do último trimestre de 2008. Também as obrigações com uma nota de abaixo do nível de investimento (também conhecidos como high-yield ou junk bonds), tiveram um aumento de 176 pontos base de quinta-feira para sexta-feira passadas. Para além da falta de liquidez, poderá existir também um problema de solvência.
A pergunta que põe é se, de facto, por mais que seja feito, será possível recuperar a confiança dos investidores. As políticas de expansão fiscal e monetária tendem a ser denominadas de medidas de estímulo muito pelo impacto que podem ter no aumento da propensão marginal do consumo em detrimento da poupança, levando assim ao crescimento dos gastos dos consumidores e investimento das empresas. No entanto, com a população fechada em casa e com uma redução brutal do consumo, estas medidas parecem ser mais de sobrevivência e não necessariamente de estímulo económico. É possível atrasar-se possíveis falências que poderão existir por problemas de solvência ou de falta de liquidez, mas existe sempre um limite muito reduzido relativamente à efetividade destas medidas. No entanto, quando a população voltar à sua vida normal, estas ações irão certamente proporcionar uma recuperação mais rápida começando realmente a servir de estímulo à economia.
EURUSD pressionado a espera dos FOMC hoje. MARCO DA COSTA O euro começou esta terça-feira a perder um pouco o impulso comprador que vinha a desenvolver nas ultimas semanas logo de atingir o seu máximo de 2 anos nos 1,1710 face ao dólar americano no dia de ontem 25 de julho de 2017, e que o levo hoje a testar o seu nível mais baixo desde o passado 20 de julho nos 1,1610 sem perder esse suporte antes do pronunciamento da Reserva Federal Americana.
O índice dólar esta a subir no dia de hoje a espera do anuncio do FOMC com o Índice a atingir os 94,04 fazendo assim pressão em baixa ao EURUSD que neste momento permanece nos 1,1625, por cima da sua S1 mas com uma inclinação em baixa como podemos observar no período de tempo de M30 desde o seu máximo já mencionado, mas sem perder os mínimos claves do dia 20, tendo em conta a especulação que vamos ver hoje tendo em conta que os investidores e Traders esperam com cautela os anúncios da Yellen que será publico hoje as 18 horas de Lisboa, no qual pode dar mais detalhes sobre a politica monetária da FED face ao segundo semestre do ano e com a atenção máxima nas suas palavras para tentar saber quando começara a FED a reduzir o seu balance geral de 4,5 bilhões de dólares americanos.
A minha analise de hoje tem muito em conta o lado fundamental porque e um dia importante no que refere a dados, politicas e também ao entorno Trump tendo em conta os supostos vínculos da sua Administração com autoridades russas nas passadas eleições americanas; a novela Trump continua e prometer vir afetar os movimentos do EURUSD, pelo qual devemos estar sempre de olho posto nas novidades que chegam dos Estados Unidos.
No aspeto técnico do gráfico, podemos ver como o EURUSD continua com a sua figura em alta desde que conseguiu furar o teto dos 1,1580 da semana passada e assim deixar intacta essa figura de máximos maiores logo de estar um pouco comprometida essa figura ao testar o mínimo clave dos 1,1480 e aguentar esse suporte para ganhar impulso maior nesse mesmo dia 20 de julho e conseguir em velas compradoras consecutivas quebrar esse teto e subir ate os 1.1660 que lhe abriu as portas a esse novo máximo de 2017 que não se via a quase 2 anos (agosto 2015) e que continua a manter as hipóteses em altas do euro face ao dólar americano.
Tendo em conta que o euro se encontra entre o seu máximo anual e um suporte clave num dia fundamental como hoje, devemos vigiar com atenção os níveis de 1,1680 pela parte alta, e os 1,1610 pela parte baixa, tendo em conta que a perda do S1 pode levar ao EURUSD a perda psicológica dos 1,16 e testar por baixo os 1,1580 sem comprometer o seu canal em alta, mas afetando o seu ótimo desenvolver que vinha a descrever nos últimos dias.
Em base aos indicadores do par, devemos ter em conta que o RSI atingiu os 70 o dia de ontem, e desde esse momento tem vindo a funcionar com normalidade a sua queda ate níveis de RSI 40 neste momento com a sua inclinação em baixa, mas a recuperar do mínimo passado. Os níveis de volume podem vir aumentar quando comece a falar a Yellen e de novidades sobre a politica monetária da FED, pelo qual devemos ter atenção ao RSI, Volume e aos níveis de suportes e resistências com possíveis quebras em falso por especulação.
Para finalizar a minha analise técnica e fundamental do EURUSD, quero lhes deixar os níveis importantes de suportes e resistências a ter em conta no dia de hoje e para o resto da semana. Pela parte alta devemos estar muito atentos aos 1,1680 como R1 e resistência pronta a atingir se queremos ver o par subir novamente com liberdade aos 1,1710 e renovar novos máximos que só pode conseguir com uma quebra em alta dos 1,1710 que o levaria aos 1,1880 R3. Devemos ter em conta que os 1,1710 são um nível muito forte que não conseguiu superar em agosto-setembro de 2015 nem este ano 2017 logo de atingir esse valor. Uma quebra em alta forte pode levar o EURUSD aos 1,1880 como primeiro objetivo. Pela parte baixa, devemos vigiar de perto os 1,1610 S1 e os 1,1580 S2. Se perde S2 vemos 1,1480 S3.



