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Dólar cai e Ibovespa hesita com exterior misto e expectativa por definição fiscal

O dólar caía frente ao real nesta segunda-feira, em linha com a fraqueza da divisa norte-americana no exterior, enquanto o Ibovespa tinha movimentação tímida em meio à queda das ações norte-americanas, ao mesmo tempo que investidores aguardavam definições sobre qual será a política fiscal e econômica do governo brasileiro eleito.

No mercado global, o foco estava sobre os raros protestos acontecendo na China contra a política de Covid-zero imposta pelo governo de Xi Jinping, com investidores tentando entender se eles levarão a uma flexibilização de restrições sanitárias ou se sofrerão retaliação mais dura do regime chinês.

Já no Brasil, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está em Brasília nesta semana para conversas sobre a PEC da Transição e pode divulgar em breve informações sobre sua escolha de equipe econômica, o que pode oferecer pistas sobre como será a conduta das finanças públicas durante os próximos quatro anos.

Como o a seleção brasileira de futebol enfrenta a Suíça às 13h (de Brasília) na Copa do Mundo, o volume de negociações tende a ser enxuto nesta sessão, alertaram alguns participantes do mercado.

Veja como estavam alguns dos principais mercados financeiros globais às 12h10 (de Brasília) desta segunda-feira:

CÂMBIO

O dólar recuava frente ao real nesta segunda-feira, acompanhando o exterior em sessão que deve contar com volumes reduzidos devido ao jogo da seleção brasileira de futebol na Copa do Mundo, com investidores ainda atentos às negociações de gastos extra-teto pelo governo eleito de Luiz Inácio Lula da Silva.

Como o Brasil enfrenta a Suíça às 13h (de Brasília) na Copa, o volume de negociações tende a ser enxuto, o que pode exacerbar os movimentos da taxa de câmbio, alertaram alguns participantes do mercado.

A baixa da moeda norte-americana frente ao real estava em linha com a queda do índice que compara o dólar a uma cesta de seis pares fortes DXY nesta sessão.

Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos, disse à Reuters que o foco dos mercados está em raros protestos acontecendo na China contra a política de Covid-zero imposta pelo governo de Xi Jinping.

Segundo o especialista, investidores estão tentando entender se os protestos levarão a uma flexibilização de restrições sanitárias --o que seria positivo para o sentimento do mercado-- ou se sofrerão retaliação mais dura do regime chinês, o que poderia elevar a cautela global.

O foco também ficará sobre o banco central norte-americano ao longo desta semana, com agentes do mercado à espera de uma série de dados econômicos dos Estados Unidos que podem oferecer pistas sobre qual será a magnitude da alta de juros de dezembro do Federal Reserve.

Se as expectativas, atualmente divididas, convergirem para um aumento de 0,50 ponto percentual, a tendência seria de enfraquecimento global do dólar, enquanto projeção de aperto mais intenso, de 0,75 ponto, provavelmente impulsionaria a moeda norte-americano, disse Cruz.

Já no Brasil, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva viajou a Brasília para discutir a PEC da Transição acompanhado de Fernando Haddad, cotado para assumir o Ministério da Fazenda, no momento em que cresce a expectativa sobre o anúncio dos novos ministros.

Investidores têm reagido mal à especulação de que Haddad liderará a pasta econômica de Lula, já que, aos olhos do mercado, ele não tem um perfil muito técnico e provavelmente será inclinado a flexibilizações das regras fiscais do país, como a proposta na chamada PEC da Transição.

O texto, que tem passado por dificuldades na negociação, inicialmente busca permitir despesas de quase 200 bilhões de reais fora do teto de gastos por tempo indeterminado. No entanto, alguns participantes do mercado acreditam que a flexibilização fiscal possa ser enxugada durante tramitação no Congresso.

"Conforme (a proposta) seja desidratada, talvez ganhe força um discurso de que, dos riscos, foi o menor", avaliou Cruz.

Por outro lado, a Genial Investimentos disse em nota a clientes que, "diante da dificuldade de conseguir votos para aprovar (a PEC) como foi apresentada pela equipe de transição, tem ganhado força entre seus membros a possibilidade de aprovar a proposta via Medida Provisória, sem o apoio de partidos que fizeram parte da chamada 'frente ampla pela democracia'".

Isso "isolaria ainda mais o PT no futuro, dificultando a governabilidade", completou a instituição.

Na última sessão, na sexta-feira, a moeda norte-americana spot saltou 1,84%, a 5,4079 reais, sua maior valorização percentual diária desde o último dia 10 (+4,10%) e o patamar de encerramento mais alto desde 22 de julho passado (5,4976).

. Dólar/Real (BRBY): -0,38%, a 5,3869 reais na venda;

. Euro/Dólar EURUSD: +0,27%, a 1,0423 dólar;

. Dólar/Cesta de moedas DXY: -0,39%, a 105,930.

BOVESPA

O Ibovespa tinha variação discreta nesta segunda-feira, em meio a um ambiente externo desfavorável, enquanto agentes financeiros continuam acompanhando as negociações envolvendo a PEC da Transição e aguardam definição da equipe ministerial do novo governo.

O volume financeiro somava 5 bilhões de reais. Nesta segunda-feira, o Brasil volta a jogar na Copa do Mundo, às 13h, mas Wall Street tem sessão normal, diferentemente da estreia da seleção no campeonato na semana passada, quando a combinação do jogo com o feriado nos Estados Unidos esvaziou a bolsa paulista.

De acordo com a equipe do Departamento de Economia do Bradesco, a cautela predomina nos mercados, em meio a manifestações contra política de Covid-zero na China, com as bolsas na Europa e nos EUA seguindo o tom na Ásia, onde os pregões tiveram um fechamento negativo.

Em Nova York, o S&P 500 SPX cedia 0,5%.

No Brasil, a atenção segue voltada para Brasília. O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estará na capital federal nesta semana para conversas sobre a PEC da transição e pode, segundo a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, divulgar alguma informação sobre suas escolhas para os ministérios.

Apesar da resistência do Congresso ao teor fiscal da proposta inicial da PEC, avalia a Guide Investimentos, a permanência de incertezas em torno das negociações e composição de ministérios, junto de um exterior cautelosos e queda das commodities, ainda são fatores de pressão para o mercado local.

DESTAQUES

- AMERICANAS ON AMER3 recuava 7,03%, a 10,18 reais, após dados mais fracos de vendas na Black Friday, que pressionavam também outras varejistas. VIA ON VIIA3 perdia 3,13% e MAGAZINE LUIZA ON MGLU3 tinha declínio de 0,58%.

- CSN ON CSNA3 caía 3,48%, a 13,33 reais, em sessão negativa para siderúrgicas, com USIMINAS PNA USIM3 em baixa de 4,07% e GERDAU PN GGBR3 cedendo 0,72%. No setor de mineração e siderurgia, VALE ON VALE3 tinha acréscimo de 0,64%. Os futuros do minério de ferro caíram em Cingapura, mas subiram nas negociações diurnas na bolsa de Dalian, na China.

- ASSAÍ ON ASAI3 avançava 2,34%, a 19,66 reais, após seu controlador, o francês Casino CO lançar oferta secundária de ações e ADRs para venda de até 14,1% do atacarejo brasileiro em negócio que pode chegar a cerca de 3,66 bilhões de reais. "Vemos a notícia como positiva, pois eleva a governança em Assaí e, mais para frente, pode resultar em uma melhor alocação de capital para financiar um crescimento maior no longo prazo", disse a Ativa Investimentos.

- PETROBRAS PN PETR3 perdia operava próximo da estabilidade, a 23,85 reais, mesmo diante de forte queda dos preços do petróleo no exterior, enquanto agentes financeiros aguardam desdobramentos de reunião do presidente da companhia com a equipe de transição nesta segunda-feira.

- ITAÚ UNIBANCO PN ITUB3 recuava 0,23%, a 25,93 reais, e BRADESCO PN BBDC3 caía 0,2, a 15,32 reais.

- BRASKEM PNA BRKM3 caía 2,18%, a 28,33 reais, tendo no radar anúncio de que Roberto Simões deixará o cargo de presidente da companhia a partir de 1° de janeiro de 2023 após cerca de três anos à frente da petroquímica. Ele também sairá do conselho de administração.

. Ibovespa IBOV: -0,06%, a 108.914,59 pontos;

. Volume financeiro: R$5 bi

. Índice dos principais ADRs brasileiros (.BR20): -0,41%, a 16.337,34 pontos.

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Para ver as maiores baixas do Ibovespa, clique em (.PL.BVSP)

JURO

Mês

Ticker

Taxa (% a.a.)

Ajuste anterior (% a.a.)

Variação (p.p.)

JAN/23

(DIJF23)

13,704

13,702

0,002

JAN/24

(DIJF24)

14,235

14,48

-0,245

JAN/25

(DIJF25)

13,625

13,9

-0,275

JAN/26

(DIJF26)

13,475

13,69

-0,215

JAN/27

(DIJF27)

13,4

13,605

-0,205

BOLSAS DOS EUA

Os principais índices de Wall Street abriram em baixa nesta segunda-feira, uma vez que protestos nas principais cidades chinesas devido às medidas rigorosas contra a Covid-19 reacenderam preocupações com o crescimento econômico, enquanto a Apple tinha queda com a notícia de interrupção da produção em uma fábrica na China.

. Dow Jones DJI: -0,44%, a 34.195,08 pontos;

. Standard & Poor's 500 SPX: -0,57%, a 4.003,21 pontos;

. Nasdaq IXIC: -0,27%, a 11.195,77 pontos.

BOLSAS DA EUROPA

O índice pan-europeu STOXX 600 SXXP tinha queda de 0,61%, a 438,03 pontos.

Em LONDRES, o índice Financial Times UK100 recuava 0,23%, a 7.469,67 pontos.

Em FRANKFURT, o índice DAX DAX caía 0,85%, a 14.417,51 pontos.

Em PARIS, o índice CAC-40 PX1 perdia 0,62%, a 6.670,70 pontos.

Em MILÃO, o índice Ftse/Mib FTSEMIB tinha desvalorização de 0,93%, a 24.489,63 pontos.

Em MADRI, o índice Ibex-35 IBC registrava baixa de 0,97%, a 8.335,30 pontos.

Em LISBOA, o índice PSI20 PSI20 desvalorizava-se 1,12%, a 5.812,14 pontos.

DÍVIDA

. Treasuries de 10 anos US10Y: rendimento em queda a 3,6756%, ante 3,702% no pregão anterior;

PETRÓLEO

. Nymex - CL1!: -1,39%, a 75,22 dólares por barril;

. ICE Futures Europe - Brent BRN1!: -1,78%, a 82,14 dólares por barril.

((Redação São Paulo, 55 11 56447757))

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