Salesforce: Nova Empreiteira de Defesa dos EUA?A Salesforce atingiu um ponto de inflexão definitivo que transforma fundamentalmente a sua identidade corporativa. A empresa, historicamente conhecida como fornecedora de software comercial, garantiu um contrato massivo de 5,64 mil milhões de dólares com o Exército dos EUA, estendendo-se até 2035. Pela primeira vez, a gigante tecnológica posiciona-se como uma "empreiteira principal de defesa", abraçando a provocadora mudança de nome do Departamento de Defesa para "Departamento de Guerra" pela administração Trump. Este movimento não só estabiliza o fluxo de receitas da empresa com um acordo de longo prazo a preço fixo, como também a coloca no centro da competição geopolítica EUA-China.
O mercado respondeu com entusiasmo — os analistas aumentaram os preços-alvo para mais de 320 dólares por ação, e os investidores veem o contrato como uma garantia de fluxo de caixa semelhante a obrigações. As ações da empresa subiram para a faixa dos 257 dólares no início de 2026, refletindo a reavaliação de Wall Street da Salesforce como infraestrutura nacional crítica, em vez de um negócio SaaS volátil. No entanto, o pivô acarreta riscos significativos. Coloca em perigo as operações da Salesforce na China e levanta sérias questões sobre a soberania de dados na Europa, particularmente dado o CLOUD Act dos EUA. Com 20% das receitas provenientes da Europa, a Salesforce entra em conflito direto com as exigências de soberania digital de líderes como Macron e Scholz.
A dimensão tecnológica é igualmente convincente: a Salesforce está a investir agressivamente no Agentforce, a sua plataforma de agentes de IA autónomos, competindo diretamente com a Palantir pelo domínio no mercado de software governamental. A tecnologia promete uma automação radical da logística militar e da gestão de pessoal. O CEO Marc Benioff enfatizou a sua vantagem de preço, superando os concorrentes ao amortizar os custos de I&D através da sua enorme base comercial. No entanto, permanecem dúvidas: poderá esta mudança estratégica proporcionar retornos a longo prazo, ou a empresa ver-se-á presa em guerras comerciais e sanções que minam a rentabilidade futura?
