BCE mantém taxas e apela a reformas estruturais na zona euro
O BCE manteve as taxas de juro inalteradas na reunião de quinta-feira. O discurso de Christine Lagarde, presidente do banco central, foi comedido nas previsões e reforçou a necessidade de dependência dos dados económicos para decidir as taxas de juro reunião a reunião, sinal de que o banco não vê, por agora, motivos fortes para cortar ou subir no curto prazo. Ficou também claro que a política monetária do BCE se encontra atualmente numa posição mais favorável do que a da sua contraparte americana, onde a inflação, os níveis de emprego e a própria legitimidade da Reserva Federal têm sido postos em causa durante a atual administração norte-americana. Ao ser questionada sobre se a subida do euro face ao dólar poderia impactar negativamente as economias europeias, a presidente do BCE contrapôs essa leitura, dizendo que a moeda única se encontra num nível historicamente equilibrado face ao dólar, apesar da valorização significativa do ano passado. Por outro lado, o discurso de Lagarde foi consistente nos apontamentos dirigidos aos países da União Monetária. Chamou a atenção para a necessidade de implementar reformas estruturais, fomentar a produtividade e avançar na unificação dos mercados de capitais e de poupanças. Trata-se de um apelo já feito por Mario Draghi em 2024, que muitos consideram um imperativo no atual contexto geopolítico, mas que até hoje deu poucos sinais de progresso. Com a política monetária estabilizada, o BCE deixa implícito que os principais constrangimentos ao crescimento europeu já não são monetários, devendo as taxas de juro manter-se nos níveis atuais até que os dados justifiquem uma alteração.Henrique Valente – ActivTrades.
Henrique Valente – ActivTrades
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Lagarde
Euro Estável, mas Perspetiva Continua Negativa
O euro manteve-se estável face ao dólar no início da sessão desta sexta-feira na Europa. A moeda única registou uma queda de quase 1% contra o dólar norte-americano ao longo da semana, refletindo o sentimento pessimista entre os traders. Este cenário é impulsionado pela queda na confiança empresarial, pelas contrações no setor industrial em toda a zona euro e pela perspetiva de um aumento nas tensões comerciais internacionais com a entrada em funções da nova administração dos EUA. O já esperado corte de 25 pontos base na taxa de referência do BCE, que reduziu a taxa para 3%, teve um impacto limitado. Os comentários de Christine Lagarde após o anúncio mantiveram o tom negativo, revelando que alguns responsáveis do banco central chegaram a defender um corte maior, de 50 pontos base. Neste contexto, os investidores continuam atentos a novos pronunciamentos dos membros do BCE, em busca de maior clareza sobre a trajetória provável das taxas. Por agora, a perspetiva para o euro permanece negativa.
Ricardo Evangelista – Analista Sénior, ActivTrades

