A AT&T sobreviverá ao ataque de US$ 1,6 trilhão da Starlink?A SpaceX está invadindo o mercado de comunicações dos EUA, avaliado em US$ 1,6 trilhão. O analista da Oppenheimer, Timothy Horan, aponta a AT&T como a operadora mais exposta. A Starlink já atende mais de 10 milhões de clientes ativos em mais de 160 países. A presidente da SpaceX, Gwynne Shotwell, confirmou os planos para um serviço móvel de varejo. A oferta funcionará em smartphones LTE padrão, sem necessidade de hardware especial. Isso coloca a SpaceX em busca direta de um mercado móvel de US$ 740 bilhões.
Wall Street está recalculando a ameaça em tempo real. A Bernstein cortou o preço-alvo da AT&T de US$ 30 para US$ 25. As ações da AT&T e da Verizon caminham para a pior semana em anos. Jim Cramer disse aos investidores que não quer possuir nenhuma das duas ações. O Wells Fargo alertou que a AT&T pode afundar à medida que o uso da Starlink dispara. Enquanto isso, a SpaceX pagou cerca de US$ 19,6 bilhões à EchoStar por espectro premium. As licenças AWS-4, H-Block e AWS-3 alimentam sua constelação direct-to-cell (direto para o celular).
A história mais profunda revela uma brutal assimetria de custos. A AT&T carrega uma dívida pesada ligada a fibras, postes e torres que exigem manutenção constante. As altas taxas de juros espremem ainda mais esse balanço patrimonial legado. A SpaceX implanta satélites em foguetes reutilizáveis a cerca de 550 quilômetros de altitude. Essa física oferece latência abaixo de 99 milissegundos com manutenção de rede física quase nula. O novo terminal Starlink V5 consome apenas 35 a 50 watts. O Starshield adiciona uma camada de defesa robusta que aprofunda a dependência do Pentágono em relação à SpaceX.
A AT&T não está parada. O CFO Pascal Desroches abordou a ameaça, e a operadora se juntou à Verizon e à T-Mobile em uma iniciativa de padrões direct-to-device. No entanto, alianças defensivas raramente evitam uma guerra de preços. Uma largura de banda orbital mais barata aponta para a erosão da receita média por usuário (ARPU). A questão já não é se a Starlink vai perturbar as telecomunicações, mas sim quanto do futuro da AT&T o mercado já descartou.
