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Mercados emergentes queimam reservas cambiais rapidamente para defender moedas

Os mercados emergentes estão consumindo seus estoques de reservas cambiais este ano em um ritmo mais rápido do que em crises monetárias anteriores, enquanto os bancos centrais lutam para defender suas moedas contra o dólar.

A China, que detém as maiores reservas totais de câmbio do mundo, superiores a 3 trilhões de dólares, desembolsou 195 bilhões de dólares entre janeiro e agosto deste ano, segundo dados do banco central chinês.

O desembolso foi mais de seis vezes maior que os 30 bilhões de dólares esgotados no mesmo período de 2018, durante o ciclo de aperto monetário anterior do Federal Reserve. Durante outra fase de demonstração de força do dólar em 2014, as reservas cambiais da China caíram 61 bilhões de dólares de março a outubro.

As reservas cambiais da Índia caíram 71 bilhões de dólares em agosto deste ano, enquanto o Brasil perdeu 29 bilhões de dólares em setembro.

Em contraste, durante o período de força do dólar em 2014, ambos os países registraram um aumento em suas reservas nos oito meses até outubro.

O UBS calculou que, em uma média móvel de seis meses, as reservas cambiais nos mercados emergentes caíram 21,2 bilhões de dólares em setembro em uma base ajustada à valorização cambial. A queda não ajustada é de 85,8 bilhões de dólares.

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O ritmo em que as reservas cambiais foram usadas levou algumas autoridades a usarem métodos criativos diante de um Federal Reserve agressivo e do dólar alto.

Os bancos estatais da China venderam um alto volume de dólares para comprar iuan, mas usaram swaps para adquirir dólares, disseram fontes bancárias à Reuters. Tanto o iuan onshore quanto o offshore enfraqueceram cerca de 12% no acumulado do ano USDCNY, USDCNH .

Da mesma forma, para conservar as reservas, o banco central da Índia vem intervindo nos mercados à vista e a prazo por meio de bancos estatais.

No entanto, os analistas dizem que não há necessidade de soar o alarme sobre as quedas nas reservas.

A preocupação, no entanto, seria uma recuperação mais gradual dessas moedas quando o dólar atingir o pico, já que os bancos centrais absorvem os fluxos de entrada ao priorizarem a reposição de suas reservas.

(Reportagem de Rae Wee em Cingapura Karin Strohecker em Londres, Rodrigo Campos em Nova York e Patturaja Murugaboopathy em Bangalore)

((Tradução Redação São Paulo, +55 11 5047-3075))

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