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Dólar cai abaixo de R$4,80 e Ibovespa supera 110 mil pontos com rali no exterior

O dólar foi abaixo de 4,80 reais nesta segunda-feira, nas mínimas em um mês, enquanto o Ibovespa saltava mais de 1% e operava acima dos 110 mil pontos, nos picos desde o fim de abril, com os ativos domésticos pegando carona no ânimo das praças internacionais em meio à recuperação de ações de crescimento.

O dólar desceu a 4,789 reais, queda de 1,69%, e o real estava entre as moedas de melhor desempenho da sessão. Na bolsa, Vale, Petrobras e bancos conduziam a alta da sessão.

O novo dia de queda global do dólar ajudava a melhorar o apetite por risco, abrindo espaço para a recuperação de Wall Street e alta nas taxas dos Treasuries.

Veja como estavam alguns dos principais mercados financeiros globais às 12h21 (de Brasília) desta segunda-feira:

CÂMBIO

O dólar caía pela terceira sessão consecutiva frente ao real nesta segunda-feira, conforme a divisa norte-americana continuava se afastando de picos em duas décadas contra uma cesta de rivais fortes no exterior.

A divisa estava sendo negociada bem abaixo de sua média móvel linear de 50 dias, um patamar técnico importante que, quando cruzado, pode disparar ordens automáticas de venda do dólar.

Guilherme Esquelbek, da Correparti Corretora, chamou a atenção para o comportamento internacional do dólar, que, em linha com o observado no mercado local, recuava contra a grande maioria das divisas globais nesta manhã.

Contra uma cesta de rivais de países ricos (DXY), a moeda norte-americana caía nesta segunda, afastando-se cada vez mais de um pico desde 2002 acima de 105 atingido neste mês. Várias unidades de países emergentes, como rand sul-africano (USDZAR) e pesos mexicano (USDMXN) e chileno (USDCLP), avançavam no dia em meio à fraqueza generalizada do dólar.

Dan Kawa, diretor de investimentos da TAG, disse em blog que o movimento de dólar mais fraco no mundo era "puxado por declarações de política monetária mais duras da Europa", após a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, dizer que o BCE provavelmente tirará sua taxa de depósito do território negativo atual até o final de setembro.

A notícia minimizava a visão de que o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, estaria isolado entre as economias avançadas no aperto agressivo da política monetária, visão que havia impulsionado o dólar globalmente mais cedo neste ano. Juros mais altos em determinado país tendem a beneficiar sua moeda local, já que elevam os retornos do mercado de renda fixa.

O euro (EURUSD) subia 1,2% contra a divisa norte-americana no dia.

Mas o cenário de melhora no apetite por risco --que era evidenciado pelos ganhos nas principais bolsas europeias e em Wall Street nesta manhã-- não significa uma reversão da cautela que tem se instalado nos mercados nas últimas semanas, comentou Esquelbek, da Correparti, citando temores persistentes sobre o crescimento econômico global, que tem sido ameaçado pela inflação elevada, condições monetárias mais apertadas e sinais de desaceleração na China.

Vários especialistas chamavam a atenção nesta segunda-feira para a agenda da semana, que, por estar carregada de indicadores econômicos importantes, como o IPCA-15 de maio e dados do PIB norte-americano, tem potencial de trazer volatilidade ao mercado de câmbio.

Ao longo da semana, várias autoridades do Fed farão discursos, que devem ser acompanhados atentamente em busca de novas pistas sobre a trajetória de aumento dos juros na maior economia do mundo. Na quarta-feira, o foco estará sobre a divulgação da ata da última reunião de política monetária do banco central norte-americano.

Com o desempenho desta sessão, o dólar acumula queda de 13,9% em 2022. Depois de disparar no primeiro trimestre, o real perdeu algum fôlego a partir de abril, e mantinha-se abaixo de suas máximas do ano, oscilando praticamente em sincronia com a performance do dólar no mercado internacional.

A moeda norte-americana à vista fechou o último pregão, na sexta-feira, em queda de 0,98%, a 4,8713 reais, seu menor patamar para encerramento desde 22 de abril (4,8065).

. Dólar/Real (BRBY): -1,53%, a 4,7962 reais na venda;

. Euro/Dólar (EURUSD): +1,16%, a 1,0682 dólar;

. Dólar/Cesta de moedas (DXY): -0,82%, a 102,110.

BOVESPA

O principal índice da bolsa brasileira subia nesta segunda-feira, voltando ao patamar dos 110 mil pontos após quase um mês, impulsionado por ações ligadas a commodities e diante de ganhos em Nova York.

Vale, Petrobras e bancos conduziam a alta da sessão, enquanto Rede D'Or era a principal pressão negativa.

Na visão de Bruna Marcelino, estrategista-chefe da Necton Investimentos, o mercado local acompanha os pares norte-americanos, enquanto o setor de commodities é destaque positivo.

"Essa semana teremos ata do Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano) que pode trazer uma sinalização mais clara sobre a alta dos juros lá fora", diz ela.

Em Wall Street, os principais índices de ações se valorizavam, diante de recuperação de ações de bancos e daquelas classificadas como "de crescimento", incluindo do setor de tecnologia. O mercado norte-americano aguarda por agenda de dados econômicos carregada na semana. Além da ata do Fed, números de inflação e Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos serão publicados.

DESTAQUES

- VALE ON (VALE3) subia 2,3%, após os contratos futuros de minério de ferro saltarem quase 7% durante o pregão em Dalian, e fecharam com alta de 4,4%. O movimento ocorreu depois que a Índia, que fornece minério de ferro para a China, aumentou as tarifas de exportação da commodity e concentrados para conter as crescentes pressões inflacionárias. GERDAU PN (GGBR3) tinha alta de 3,6% e liderava valorização entre siderúrgicas.

- PETROBRAS PN (PETR3) apontava acréscimo de 2,6%, ainda que o preço do petróleo esteja perto da estabilidade. PETRORIO ON (PRIO3) tinha alta 3,1%, e 3R PETROLEUM ON (RRRP3) mostrava valorização de 1,6%.

- CVC BRASIL ON (CVCB3) cedia 3,9%, a terceira queda em quatro sessões.

- QUALICORP ON (QUAL3) perdia 6%, REDE D'OR ON (RDOR3) reduzia 3,1%, SULAMÉRICA UNIT (SULA3) recuava 2,7% e FLEURY ON (FLRY3) diminuía 1,5%, em pregão negativo para ações ligadas ao setor de saúde.

- ITAÚ UNIBANCO PN (ITUB3) exibia elevação de 1,9% e BANCO DO BRASIL ON (BBAS3) tinha alta de 2,4%, puxando ganhos de grandes bancos.

- IRB BRASIL ON (IRBR3) subia 5%, terceira sessão consecutiva de alta.

- ALLIAR ON (AALR3), que não está no Ibovespa, operava 0,1% no positivo. A Comissão de Valores Mobiliários está investigando potencial "insider trading" de veículos de investimentos ligados ao investidor ativista Nelson Tanure durante o processo de aquisição da empresa de laboratórios, segundo documentos vistos pela Reuters.

- ENJOEI ON (ENJU3), que também não compõe o Ibovespa, afundava 5,9%, após o brechó online rescindir o contrato de aquisição da Gringa, plataforma de revenda de artigos de luxo, depois que o valor financeiro da opção de direito de retirada por acionistas ultrapassou o limite previsto em acordo.

- ENAUTA ON (ENAT3), também fora do Ibovespa, disparava 6,6%. A petrolífera informou na sexta-feira que decidiu não prorrogar as negociações exclusivas com a Karoon Energy para venda de 50% de participação no Campo de Atlanta. A empresa disse que a valorização do petróleo, aliada a outros fatores operacionais recentes, aumentaram o potencial de geração do valor do projeto.

. Ibovespa (B3SA3): +1,55%, a 110.174,74 pontos;

. Volume financeiro: R$9,437 bi;

. Índice dos principais ADRs brasileiros (.BR20): +3,42%, a 20.168,85 pontos.

Para ver as maiores baixas do Ibovespa, clique em (.PL.BVSP)

Para ver as maiores altas do Ibovespa, clique em (.PG.BVSP)

JURO

Mês

Ticker

Taxa (% a.a.)

Ajuste anterior (% a.a.)

Variação (p.p.)

JUL/22

(DIJN22)

12,842

12,828

0,014

OUT/22

(DIJV22)

13,155

13,15

0,005

JAN/23

(DIJF23)

13,25

13,27

-0,02

JAN/24

(DIJF24)

12,76

12,79

-0,03

JAN/25

(DIJF25)

12,025

12,09

-0,065

JAN/26

(DIJF26)

11,825

11,91

-0,085

JAN/27

(DIJF27)

11,785

11,86

-0,075

BOLSAS DOS EUA

Os índices S&P 500 e o Dow Jones subiam nesta segunda-feira, liderados por ganhos em bancos e na Apple após forte liquidação na semana passada, enquanto as perdas da Tesla e de fabricantes de chips pesavam sobre o Nasdaq.

Oito dos 11 principais setores do S&P avançavam no início do pregão, com o financeiro (SPF) e o de energia (SPN) em alta de mais de 1% cada.

Os bancos (.SPXBK) ganhavam 2,9%, liderados pelo salto de 3,5% nas ações do JPMorgan Chase & Co (JPM), depois que o maior credor dos EUA em ativos elevou sua perspectiva para a receita líquida com juros em 2022.

Apple Inc (AAPL) e Microsoft Corp (MSFT), ações de crescimento, ganhavam 1,6% e 1,5% respectivamente, dando o maior impulso ao S&P 500.

Os índices acionários norte-americanos aprofundaram as perdas no ano na semana passada, uma vez que projeções fracas do Walmart Inc (WMT) e de outras varejistas ampliaram preocupações com o aumento da inflação e o impacto sobre os consumidores e o crescimento econômico.

. Dow Jones (DJI): +1,96%, a 31.873,19 pontos;

. Standard & Poor's 500 (SPX): 1,48%, a 3.959,05 pontos;

. Nasdaq (IXIC): +0,73%, a 11.437,26 pontos.

BOLSAS DA EUROPA

O índice pan-europeu STOXX 600 (.STOXX) tinha alta de 1,06%, a 435,65 pontos.

Em LONDRES, o índice Financial Times (UK100) avançava 1,57%, a 7.505,89 pontos.

Em FRANKFURT, o índice DAX (DB1) subia 1,12%, a 14.138,41 pontos.

Em PARIS, o índice CAC-40 (PX1) ganhava 0,79%, a 6.334,97 pontos.

Em MILÃO, o índice Ftse/Mib (FTSEMIB) tinha desvalorização de 0,10%, a 24.070,66 pontos.

Em MADRI, o índice Ibex-35 (IBC) registrava alta de 1,42%, a 8.604,70 pontos.

Em LISBOA, o índice PSI20 (.PSI20) valorizava-se 2,39%, a 6.062,72 pontos.

DÍVIDA

Os rendimentos dos Treasuries subiam nesta segunda-feira, à medida que o sentimento de risco melhorava antes de uma semana agitada que incluirá a ata da última reunião do Federal Reserve e nova oferta de dívida de curto e médio prazos.

Os rendimentos mais longos caíram de máximas de três anos e meio anos, conforme a queda acentuada das ações aumentou a demanda pela segurança da dívida e investidores se preocuparam com a probabilidade de os planos agressivos do Fed de aumento da taxa de juros pudessem levar a economia para uma recessão.

No entanto, os mercados de ações podem ser impulsionados nesta semana pela demanda de fim de mês por ajuste de carteira, disse Michael Lorizio, operador sênior de renda fixa da Manulife Investment Management.

Uma forte queda nas expectativas de inflação, medidas pelos títulos indexados à inflação, estará no foco, pois pode refletir a confiança crescente de que os planos "hawkish" do Fed para conter o aumento das pressões sobre os preços acabarão se mostrando eficazes.

A taxa de inflação implícita dos títulos protegidos contra a inflação (Tips) (USBEI5Y=RR) de cinco anos, uma medida da inflação média anual esperada para os próximos cinco anos, estava em 2,92% nesta segunda-feira, depois de atingir um pico de 3,62% no mês passado.

A ata da reunião de maio do Fed a ser divulgada na quarta-feira provavelmente mostrará que o banco central dos EUA continua empenhado em apertar a política monetária a um ritmo acelerado enquanto combate a inflação em máxima de quatro décadas.

Operadores de juros futuros estão precificando aumentos de 0,50 ponto percentual para cada uma das reuniões do Fed em junho e julho, e uma forte possibilidade do mesmo em setembro. A taxa de referência do Fed deve subir para 3,03% até março, de 0,83% agora. (FEDWATCH), (USONFFE=)

. Treasuries de 10 anos (US10YT=RR): rendimento em alta a 2,8532%, ante 2,787% no pregão anterior.

PETRÓLEO

. Nymex - (CL1!): 0,02%, a 110,3 dólares por barril;

. ICE Futures Europe - Brent (BRN1!): 0,39%, a 112,99 dólares por barril.

(PANORAMA1, PANORAMA2 e PANORAMA3 são localizados no terminal de notícias da Reuters pelo código (PAN/SA))

((Redação São Paulo, 55 11 56447757))

REUTERS JCG IV

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