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Ibovespa e real têm nova sessão de ganhos; Wall St perde força inicial com persistência de pessimismo

O Ibovespa avançava e o dólar caía acentuadamente contra o real nesta sexta-feira, segunda sessão consecutiva de valorização dos ativos brasileiros, que pareciam aproveitar ganhos nos preços das commodities após anúncio de estímulos na China, enquanto os principais índices de Wall Street reverteram ganhos iniciais em meio à persistência de receios sobre o crescimento global.

A China cortou sua taxa de referência de cinco anos para hipotecas por uma margem inesperadamente ampla nesta sexta-feira, sua segunda redução neste ano conforme Pequim procura reanimar o setor habitacional.

Embora tenha sustentado os preços das commodities e de alguns ativos arriscados, a notícia não deu grande suporte às ações norte-americanas, que passaram a cair no dia diante de temores contínuos de estagflação.

No Brasil, investidores acompanhavam o noticiário em torno de encontro do presidente Jair Bolsonaro com o bilionário Elon Musk no interior de São Paulo. Bolsonaro chamou nesta sexta-feira o presidente-executivo da Tesla de "mito da liberdade" e disse que o anúncio do empresário de que compraria o Twitter foi como um "sopro de esperança".

Veja como estavam alguns dos principais mercados financeiros globais às 12h20 (de Brasília) desta sexta-feira:

CÂMBIO

O dólar era negociado em queda contra o real nesta sexta-feira, a caminho de registrar nova desvalorização semanal, em linha com recente arrefecimento da divisa norte-americana no exterior, enquanto novas medidas de estímulo econômico na China pareciam aliviar o fragilizado sentimento global.

A China cortou sua taxa de juros de referência para hipotecas por uma margem inesperadamente ampla nesta sexta-feira, sua segunda redução neste ano, conforme Pequim procura reanimar o setor habitacional e sustentar a economia.

O estímulo vem na esteira de lockdowns prolongados em algumas cidades chinesas, incluindo o centro financeiro de Xangai, conforme o país enfrentava uma nova onda de casos de Covid-19. As restrições levantaram temores no mercado nas últimas semanas de que uma desaceleração na segunda maior economia do mundo poderia minar a atividade global, embora um arrefecimento recente no número de casos da doença na China possa levar à suspensão dos bloqueios em breve.

Participantes do mercado receberam bem a notícia de estímulo. Guilherme Esquelbek, da Correparti Corretora, comentou que o corte de juros pode elevar esperanças de que a China conseguirá superar a crise que tem enfrentado diante da deterioração da situação sanitária.

Mas Carla Argenta, economista-chefe da CM Capital, viu impacto limitado da medida nos mercados de câmbio, já que a redução ocorreu apenas nos juros de longo prazo --os custos dos empréstimos de prazo mais curto da China ficaram inalterados.

Segundo ela, a queda do dólar tanto nesta sessão quanto na anterior é reflexo do alinhamento do mercado doméstico ao internacional, onde o índice da moeda norte-americana contra uma cesta de rivais fortes (DXY) recuou nesta semana de picos em duas décadas atingidos mais cedo neste mês, ao mesmo tempo que cedeu bastante terreno contra o euro. "Esse movimento é reproduzido nos mercados emergentes também", explicou.

O grande foco de especialistas em câmbio tem sido a condução das políticas monetárias nas principais economias do mundo. O Federal Reserve, banco central dos EUA, iniciou em março deste ano um ciclo de aperto, que está encabeçando a ritmo mais agressivo que o inicialmente previsto pelos mercados.

No âmbito local, o aval dado nesta semana pelo Tribunal de Contas da União à privatização da Eletrobras (USP22835AB13) teve impacto positivo no câmbio, uma vez que agentes financeiros estrangeiros podem passar a enxergar melhores oportunidades de investimento no Brasil, disse Argenta.

Vários ativos arriscados performavam positivamente nesta sexta-feira.

Moedas como peso mexicano (USDMXN), peso chileno (USDCLP), rand sul-africano (USDZAR) e dólar australiano (AUD=), por exemplo, avançavam contra a divisa norte-americana, enquanto as principais bolsas europeias registravam ganhos.

Com o desempenho desta manhã, o dólar à vista ficava a caminho de registrar forte queda em relação ao fechamento da última sexta-feira, o que marcaria sua segunda desvalorização semanal seguida frente ao real.

Até agora no ano, a divisa dos Estados Unidos cai 12% frente à brasileira, embora ainda esteja mais de 6% acima da mínima para encerramento de 2022, de 4,6075 reais, atingida no início de abril.

A moeda norte-americana spot fechou a última sessão em queda de 1,24%, a 4,9194 reais, seu menor patamar para um encerramento desde o dia 4 deste mês (4,9006).

. Dólar/Real (BRBY): -1,05%, a 4,8677 reais na venda;

. Euro/Dólar (E7H2007): -0,3%, a 1,0554 dólar;

. Dólar/Cesta de moedas (DXY): 0,18%, a 103,100.

BOVESPA

O principal índice da bolsa brasileira subia nesta sexta-feira, diante de recuperação dos ativos nos mercados internacionais e desempenho positivo de commodities após a China cortar juros do setor imobiliário.

Vale, Petrobras e Bradesco eram as principais influências positivas ao índice. Ambev e BTG Pactual estavam na ponta contrária. O dia é vencimento de opções sobre ações na B3.

O Ibovespa caminha para alta de 1,5% na semana, o segundo avanço semanal consecutivo.

Após dois dias de liquidação, o S&P 500 (SPX500USD) e o Nasdaq (IXIC) ensaiaram recuperação nesta sexta-feira em Wall Street, acompanhando alta das bolsas na Europa e na Ásia, embora tenham perdido parte da força da abertura. O movimento é impulsionado pelo anúncio de mais estímulos econômicos na China, que cortou a taxa de referência de cinco anos para financiamentos imobiliários em nível maior do que o esperado com a expectativa de reanimar o setor habitacional.

Além do corte em si, diz Pedro Paulo Silveira, gestor na Nova Futura, a animação do mercado também deve-se à sinalização dada pela China sobre uma "perspectiva de um programa de estímulos". A desaceleração econômica no país asiático, em meio a lockdowns em algumas cidades, é um dos temas que mais preocupa os investidores atualmente.

O otimismo com a China ocorre apesar de Xangai ter registrado novos casos de Covid-19 fora das áreas de quarentena após cinco dias.

No Brasil, o bilionário Elon Musk está em evento para anúncio do governo federal sobre uso de tecnologia para proteção da Floresta Amazônica. Musk é presidente-executivo da fabricante de veículos elétricos Tesla (TL0) e da empresa de foguetes espaciais SpaceX.

A Agenda macroeconômica está esvaziada, com divulgação apenas de relatório de avaliação de receitas e despesas do segundo bimestre à tarde.

O presidente Jair Bolsonaro alertou na véspera que o Executivo deve promover cortes no Orçamento de cerca de 17 bilhões de reais para cobrir despesas e para arcar com a proposta de reajuste de 5% para servidores, que está em análise.

DESTAQUES

- VALE ON (CVLB) subia 2,2%, após os contratos futuros do minério de ferro em Dalian e Cingapura avançarem após a China cortar juros do setor imobiliário. CSN ON (SID) tinha valorização de 4,9% e GERDAU PN (GGBR4F) exibia alta de 4,5%. Ambas são produtoras de aços longos, muito usados na construção civil e cujos preços são baseados em cotações internacionais.

- PETROBRAS PN (XPBRA) crescia 1,6%, enquanto petróleo operava estável, à medida que o planejado banimento do petróleo russo pela União Europeia contrapunha temores com demanda pela commodity diante da desaceleração econômica global. PETRORIO ON (PTRRY) elevava-se 2,1% e 3R PETROLEUM ON (RRRP3) valorizava-se 2%.

- BANCO DO BRASIL ON (BBAS3) registrava acréscimo de 3,5%, em dia positivo para grandes bancos.

- GETNET UNIT (GETT3F), que não está no Ibovespa, disparava 22,7%, após a controladora PagoNxt Merchant Solutions, subsidiária do espanhol Santander (BSD2), revelar intenção de fechar o capital da empresa de pagamentos apenas sete meses após sua estreia na bolsa. O prêmio aos acionistas seria de 29,3%. Analistas do Citi destacaram problemas de liquidez e disseram que a listagem falhou em seu objetivo principal, já que dado o patamar de negociação dos papéis atual o negócio não estava destravando valor para o grupo. SANTANDER BRASIL UNIT (BSBR) operava 0,9% no positivo.

- AMBEV ON (ABEV3) recuava 0,4%, terceira baixa seguida em meio à queda nas temperaturas no país que atinge o consumo de bebidas.

- PETZ ON (PETZ3F) caía 1,8%, quarta queda consecutiva, e MAGAZINE LUIZA ON (MGLUY) tinha desvalorização de 1,1%.

- SUZANO ON (SPXB) subia 2,3%. A empresa de papel e celulose foi citada pelo Valor como uma das interessadas nos ativos que a Kimberly-Clark (KMY) planeja vender no Brasil e América Latina.

. Ibovespa (USP19118AA91): +1,13%, a 108.218,70 pontos;

. Volume financeiro: R$7,7 bi

. Índice dos principais ADRs brasileiros (.BR20): +1,53%, a 19.373,00 pontos.

Para ver as maiores baixas do Ibovespa, clique em (.PL.BVSP)

Para ver as maiores altas do Ibovespa, clique em (.PG.BVSP)

JURO

Mês

Ticker

Taxa (% a.a.)

Ajuste anterior (% a.a.)

Variação (p.p.)

JUL/22

(DIJN22)

12,834

12,83

0,004

OUT/22

(DIJV22)

13,165

13,17

-0,005

JAN/23

(DIJF23)

13,275

13,28

-0,005

JAN/24

(DIJF24)

12,83

12,87

-0,04

JAN/25

(DIJF25)

12,145

12,22

-0,075

JAN/26

(DIJF26)

11,955

12,035

-0,08

JAN/27

(DIJF27)

11,915

11,985

-0,07

BOLSAS DOS EUA

Os principais índices de ações dos Estados Unidos devolveram ganhos iniciais e passavam a recuar nesta sexta-feira, ao final de uma semana volátil abalada por preocupações sobre o impacto da inflação nos resultados corporativos e as consequências de aumentos de juros sobre o crescimento econômico.

"Alguns operadores estão aproveitando a fraqueza dos preços, pelo menos no curto prazo, para ganhar algum dinheiro. A verdadeira questão é se isso vai durar até o final do dia", disse Sam Stovall, estrategista-chefe de investimentos da CFRA Research.

"Definitivamente vai ser uma batalha de operadores hoje. O mercado está tentando orquestrar pelo menos um rali de alívio de curto prazo, o que é normal dentro das tendências do 'bear market'."

O S&P 500 e o Nasdaq estão em sua sétima semana consecutiva de baixa, sua mais longa sequência de perdas semanais desde o fim da bolha da Internet. O Dow (US30) está a caminho de seu oitavo declínio semanal consecutivo, mais longa sequência do tipo desde 1932, durante a Grande Depressão.

. Dow Jones (US30): -0,87%, a 30.981,56 pontos;

. Standard & Poor's 500 (SPX500USD): -0,31%, a 3.888,60 pontos;

. Nasdaq (IXIC): -0,36%, a 11.347,66 pontos.

BOLSAS DA EUROPA

O índice pan-europeu STOXX 600 (.STOXX) tinha alta de 0,80%, a 431,41 pontos.

Em LONDRES, o índice Financial Times (UK100) avançava 1,34%, a 7.400,28 pontos.

Em FRANKFURT, o índice DAX (DB1) subia 0,71%, a 13.980,21 pontos.

Em PARIS, o índice CAC-40 (CAC40) ganhava 0,17%, a 6.283,29 pontos.

Em MILÃO, o índice Ftse/Mib (FTSEMIB) tinha valorização de 0,19%, a 24.110,13 pontos.

Em MADRI, o índice Ibex-35 (IBC) registrava alta de 0,90%, a 8.481,70 pontos.

Em LISBOA, o índice PSI20 (.PSI20) valorizava-se 0,28%, a 5.921,44 pontos.

DÍVIDA

Os rendimentos dos Treasuries caíam pela terceira sessão consecutiva nesta sexta-feira, com investidores permanecendo preocupados com os crescentes sinais de desaceleração econômica, mesmo com o Federal Reserve prometendo permanecer firme no aperto monetário de forma a conter a inflação persistentemente alta.

"As preocupações com a desaceleração do crescimento estão tomando conta, com mais analistas alertando não apenas para uma estagflação, mas também para uma recessão", disse Kim Rupert, diretora administrativa de renda fixa da Action Economics em San Francisco.

"Os impactos nas margens que foram vistos em Target, Walmart e empresas similares devido ao aumento dos custos de mão de obra, materiais, energia e transporte são vistos como potenciais prenúncios do futuro preocupante à frente", acrescentou ela.

Os futuros dos juros básicos do Fed estavam mais estáveis, sugerindo que o mercado de juros dos EUA recuou um pouco de algumas de suas estimativas mais extremas sobre o aumento dos custos dos empréstimos, em meio à visão de que o Federal Reserve pode precisar abrandar seu plano de aperto monetário à medida que a economia desacelera.

. Treasuries de 10 anos (US10YT=RR): rendimento em queda a 2,8045%, ante 2,855% no pregão anterior

PETRÓLEO

. Nymex - (CLZ2022): 0,35%, a 112,6 dólares por barril;

. ICE Futures Europe - Brent (BBU2024): 0,24%, a 112,31 dólares por barril.

(PANORAMA1, PANORAMA2 e PANORAMA3 são localizados no terminal de notícias da Reuters pelo código (PAN/SA))

((Redação São Paulo, 55 11 56447757))

REUTERS LB IV

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