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Ativos brasileiros sobem após tombo da véspera com foco em definições da PEC da Transição

O dólar caía frente ao real e o Ibovespa subia nesta terça-feira, com os ativos brasileiros se recuperando de fortes perdas da véspera à medida que investidores recebiam novas informações sobre como está ficando o desenho da PEC da Transição durante sua tramitação no Congresso.

O relator da PEC da Transição, senador Alexandre Silveira (PSD-MG), apresentou parecer à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado propondo expandir o teto de gastos em 175 bilhões de reais em 2023 e 2024 para incluir sob a regra a totalidade dos gastos com o Bolsa Família, em vez de excetuar os gastos sociais da regra fiscal por quatro anos, como o governo eleito havia proposto.

O texto ainda estabelece que o presidente da República deverá encaminhar ao Congresso, até 31 de dezembro de 2023, projeto de lei complementar com o objetivo de instituir um “regime fiscal sustentável para garantir a estabilidade macroeconômica do país e criar as condições adequadas ao crescimento socioeconômico”.

Enquanto digeriam o noticiário político-fiscal, investidores aguardavam o fim da reunião de política monetária de dois dias do Banco Central, na quarta-feira. O foco deve ficar nos sinais do Copom para os próximos movimentos, uma vez que a aposta consensual é de estabilidade da taxa de juros em 13,75%.

Veja como estavam alguns dos principais mercados financeiros globais às 12h10 (de Brasília) desta terça-feira:

CÂMBIO

O dólar caía frente ao real nesta terça-feira, com investidores ajustando posições depois de na véspera a moeda ter saltado mais de 1%, enquanto o mercado entrava em compasso de espera antes da votação da PEC da Transição em comissão do Senado e da decisão de política monetária do Banco Central.

Denilson Alencastro, economista-chefe da Geral Asset, disse à Reuters que o movimento desta terça-feira é, em grande parte, um ajuste em relação à última sessão, quando o dólar à vista fechou em alta de 1,35%, a 5,2844 reais na venda.

Essa foi a maior valorização percentual diária desde 25 de novembro (+1,84%) e o patamar de encerramento mais alto desde terça-feira passada (5,2883), movimento que foi impulsionado por temores sobre o tamanho da PEC da Transição, além de dúvidas sobre o espaço que o Federal Reserve terá para desacelerar seu aperto monetário.

Para além de razões técnicas, o dólar também era pressionado nesta manhã pelo retorno de esperanças de que a PEC será desidratada no Congresso, disse Alencastro.

Embora o governo eleito de Luiz Inácio Lula da Silva pareça determinado a garantir fortes gastos na PEC da Transição, o tempo de vigência da proposta deve ser reduzido para dois anos, em vez dos quatro inicialmente estimados.

O relator da PEC, senador Alexandre Silveira (PSD-MG), apresentou parecer à Comissão de Constituição e Justiça do Senado propondo expandir o teto de gastos em 175 bilhões de reais em 2023 e 2024 para abarcar dentro da regra fiscal as despesas com o Bolsa Família, em vez de excetuar os gastos sociais da regra como o governo eleito havia proposto.

O texto ainda estabelece que o presidente da República deverá encaminhar ao Congresso, até 31 de dezembro de 2023, projeto de lei complementar com o objetivo de instituir um “regime fiscal sustentável para garantir a estabilidade macroeconômica do país e criar as condições adequadas ao crescimento socioeconômico”.

Conforme as negociações da PEC continuam, alguns participantes do mercado seguem acreditando na possibilidade de moderação dos gastos embutidos no texto. "No geral, continuamos esperando que o projeto de lei seja diluído ao longo do processo, com nosso cenário base incorporando gastos públicos extra não financiados de 150 bilhões de reais em 2023, valor que decairia nos anos seguintes", avaliou o Citi em relatório desta terça-feira.

Investidores também ficavam de olho na reunião de dois dias do Comitê de Política Monetária do BC, que se encerrará na quarta-feira.

Embora haja consenso no mercado de que a taxa Selic será mantida nos atuais 13,75%, o mercado estará atento a qualquer indicação do Copom sobre como as atuais incertezas fiscais podem afetar decisões de juros.

De acordo com Jefferson Rugik, presidente-executivo da Correparti Corretora, a depreciação do dólar frente ao real nesta sessão também era reflexo da fraqueza da divisa norte-americana no exterior. Vários pares arriscados do real avançavam no dia, com dólar australiano AUDUSD, peso chileno USDCLP e rand sul-africano USDZAR ganhando de 0,6% a 0,9%.

O humor dos investidores internacionais era sustentado pelas esperanças de que a China reduzirá em breve sua rígida política de combate à Covid-19.

. Dólar/Real (BRBY): -0,93%, a 5,2352 reais na venda;

. Euro/Dólar EURUSD: +0,1%, a 1,0502 dólar;

. Dólar/Cesta de moedas DXY: -0,01%, a 105,220.

BOVESPA

O Ibovespa mostrava melhora nesta terça-feira, após cair mais de 2% na véspera, com ações de varejo entre as maiores altas e as atenções no Brasil voltadas para a votação da PEC da Transição na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.

Em Brasília, o relator da PEC da Transição, senador Alexandre Silveira (PSD-MG), apresentou parecer à CCJ propondo expandir o teto de gastos em 175 bilhões de reais em 2023 e 2024, em vez de excetuar os gastos sociais da regra fiscal.

O texto também abre margem de aproximadamente 23 bilhões de reais nas contas do ano que vem ao excetuar investimentos do limite do teto com base em uma parcela de excesso de arrecadação do governo.

Em contrapartida, exige que o governo envie ao Congresso, até 31 de dezembro de 2023, projeto para um “regime fiscal sustentável para garantir a estabilidade macroeconômica do país e criar as condições adequadas ao crescimento socioeconômico”.

Há expectativa, porém, que aliados do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva peçam vista preventiva ao parecer, com o objetivo de evitar manobras de bolsonaristas para atrasar a tramitação da proposta.

A perspectiva de maiores gastos nos próximos anos, segundo estrategistas do Safra, segue como um desafio ao equilíbrio fiscal e pode ser um risco para o início do corte da Selic no ano que vem - um dos componentes da projeção do banco para o Ibovespa em 130 mil pontos no final de 2023.

Na quarta-feira, o Banco Central encerra reunião de dois dias de política monetária e o foco deve ficar nos sinais do Copom para os próximos movimentos, uma vez que a aposta consensual é de estabilidade da taxa de juros em 13,75%.

No exterior, os futuros acionários norte-americanos tinha variações comedidas, após quedas fortes na véspera, em meio a temores de que o Federal Reserve possa persistir com aumentos nas taxas de juros por mais tempo.

DESTAQUES

- LOJAS RENNER ON LREN3 avançava 4,42%, a 21,48 reais, em dia de recuperação generalizada de papéis de varejo, com AMERICANAS ON AMER3 subindo 2,11% e GPA ON PCAR3 em alta de 1,91%.

- GOL PN GOLL3 valorizava-se 2,12%, a 7,72 reais, após divulgar crescimento de 28,5% na procura por voos da empresa em novembro sobre um ano antes, enquanto a oferta de voos e o total de assentos nos aviões aumentou 29,7%.

- PETROBRAS PN PETR3 subia 1,01%, a 25,88 reais, a despeito da queda dos preços do petróleo no exterior. No setor, 3R PETROLEUM ON RRRP3 cedia 0,31% e PRIO ON PRIO3 tinha acréscimo de 0,17%.

- VALE ON VALE3 tinha acréscimo de 0,67%, a 87,29 reais, mesmo com a queda dos contratos futuros de minério de ferro nas bolsas de Dalian e Cingapura, em uma sessão volátil.

- ITAÚ UNIBANCO PN ITUB3 ganhava 0,35%, a 25,65 reais, e BRADESCO PN BBDC3 subia 0,27%, a 14,84 reais, experimentando uma melhora após perdas relevantes na véspera.

- HAPVIDA ON HAPV3 recuava 2%, a 4,89 reais, com o setor saúde na ponte de baixa, com QUALICORP ON QUAL3 cedendo 2,23%, FLEURY ON FLRY3 perdendo 2,32% e REDE D'OR ON RDOR3 caindo 1,41%.

. Ibovespa IBOV: +0,59%, a 110.050,29 pontos;

. Volume financeiro: R$2,8 bi

. Índice dos principais ADRs brasileiros (.BR20): +2,04%, a 17.089,72 pontos.

Para ver as maiores altas do Ibovespa, clique em (.PG.BVSP)

Para ver as maiores baixas do Ibovespa, clique em (.PL.BVSP)

JURO

Mês

Ticker

Taxa (% a.a.)

Ajuste anterior (% a.a.)

Variação (p.p.)

JAN/23

(DIJF23)

13,664

13,664

0

JAN/24

(DIJF24)

13,99

13,985

0,005

JAN/25

(DIJF25)

13,115

13,09

0,025

JAN/26

(DIJF26)

12,845

12,8

0,045

JAN/27

(DIJF27)

12,74

12,725

0,015

BOLSAS DOS EUA

Os índices de ações dos Estados Unidos caíam ligeiramente na abertura nesta terça-feira, após uma liquidação na sessão anterior, devido aos temores de que o Federal Reserve possa persistir com aumentos na taxa de juros por mais tempo, enquanto o foco mudava para o segundo turno da eleição na Geórgia, que pode decidir o destino do Senado.

. Dow Jones DJI: -0,28%, a 33.852,40 pontos;

. Standard & Poor's 500 SPX: -0,65%, a 3.972,69 pontos;

. Nasdaq IXIC: -0,73%, a 11.157,57 pontos.

BOLSAS DA EUROPA

O índice pan-europeu STOXX 600 SXXP tinha queda de 0,60%, a 438,83 pontos.

Em LONDRES, o índice Financial Times UK100 recuava 0,34%, a 7.542,12 pontos.

Em FRANKFURT, o índice DAX DAX caía 0,67%, a 14.351,34 pontos.

Em PARIS, o índice CAC-40 PX1 perdia 0,36%, a 6.673,18 pontos.

Em MILÃO, o índice Ftse/Mib FTSEMIB tinha desvalorização de 0,65%, a 24.388,25 pontos.

Em MADRI, o índice Ibex-35 IBC registrava baixa de 0,50%, a 8.328,20 pontos.

Em LISBOA, o índice PSI20 PSI20 desvalorizava-se 0,19%, a 5.854,18 pontos.

DÍVIDA

. Treasuries de 10 anos US10Y: rendimento em queda a 3,5826%, ante 3,599% no pregão anterior;

PETRÓLEO

. Nymex - CL1!: -0,19%, a 76,78 dólares por barril;

. ICE Futures Europe - Brent BRN1!: -0,41%, a 82,34 dólares por barril.

((Redação São Paulo, 55 11 56447757))

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