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Ibovespa sobe e dólar cai, mas ativos brasileiros miram novembro ruim devido a temor fiscal

O Ibovespa avançava nesta quarta-feira, enquanto o dólar mostrava viés negativo frente ao real em sessão instável devido à formação da Ptax de fim de mês, embora os principais ativos brasileiros ficassem a caminho de fechar novembro com fortes perdas em meio a incertezas fiscais domésticas.

Este mês foi marcado por aversão a risco no mercado brasileiro em meio à tentativa do governo eleito de Luiz Inácio Lula da Silva de viabilizar amplos gastos extrateto a partir do ano que vem. A PEC da Transição, provável caminho para aprovação das despesas, prevê excluir quase 200 bilhões de reais das regras fiscais do país, por quatro anos, sob o texto atual.

Ainda assim, o dólar e o Ibovespa recuperavam algum terreno nesta semana, já que há ampla expectativa entre investidores de que a PEC seja moderada durante tramitação no Congresso.

No exterior, o foco de investidores ficava sobre o chair do Federal Reserve, Jerome Powell, que falará às 15h30 (horário de Brasília) em evento da Brookings Institution.

Veja como estavam alguns dos principais mercados financeiros globais às 12h15 (de Brasília) desta quarta-feira:

CÂMBIO

O dólar alternava altas e baixas frente ao real nesta quarta-feira, em sessão instável por se tratar do último dia do mês, ora acompanhando a percepção de que a PEC da Transição será desidratada no Congresso, ora refletindo incertezas sobre a composição do Ministério da Fazenda do governo eleito.

A sessão era de volatilidade elevada, o que investidores atribuíam à formação da Ptax --taxa de câmbio calculada pelo Banco Central que serve de referência para liquidação de derivativos-- de novembro. No fim de cada mês, agentes financeiros costumam tentar direcioná-la para níveis mais convenientes às suas posições, sejam elas compradas ou vendidas em dólar, o que geralmente eleva a volatilidade.

"Os comprados estão tentando mostrar sua força na disputa pela Ptax de fim de mês", avaliou Jefferson Rugik, presidente-executivo da Correparti Corretora.

Apesar do vaivém do dólar nesta manhã, persistia no mercado financeiro a esperança de que o texto da PEC da Transição --que atualmente propõe gastos extrateto de quase 200 bilhões de reais por quatro anos-- possa ser lapidado durante tramitação no Congresso.

"O principal é o alinhamento do novo governo e o Senado; a PEC deve andar bem, com expectativa de que fique abaixo do valor pretendido inicialmente", disse à Reuters Bruno Mori, economista e planejador financeiro pela Planejar. "Essa desidratação traz um pouco de alívio."

Por outro lado, investidores continuavam incertos sobre quem será o escolhido de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para chefiar o Ministério da Fazenda, o que infligia instabilidade aos negócios.

Após semanas tendo quase como certa a indicação do ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) à pasta, alguns agentes financeiros reagiram bem a reportagem de terça-feira do Poder 360 de que Lula teria voltado a cogitar a nomeação do vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin, nome mais moderado, de forma a apaziguar os mercados.

"Continuamos em um ambiente onde 'balões de ensaio' são utilizados por Lula para testar a sociedade e o mercado. Com uma visibilidade mais baixa, é natural que tenhamos que conviver com uma volatilidade mais alta, sem grandes tendências nos ativos locais", disse Dan Kawa, CIO da TAG Investimentos, em nota a clientes.

No exterior, o foco nesta quarta-feira recaía sobre o Federal Reserve, antes de discurso do chair Jerome Powell, que pode trazer pistas sobre qual será a trajetória de aperto monetário do banco central norte-americano a partir de dezembro.

Segundo Mori, da Planejar, sinalizações de Powell no sentido de desacelerar o ritmo de altas de juros podem pressionar o dólar globalmente, abrindo espaço para a valorização de moedas de países emergentes.

"Se, ao invés de o Fed subir os juros em 0,75 (ponto percentual), subir 0,50 (em dezembro), isso traria um certo conforto; a moeda reflete o que seus juros locais pagam", disse o economista. Quanto mais altos são os custos dos empréstimos em determinado país, mais sua divisa tende a se beneficiar, e vice-versa.

A moeda norte-americana negociada no mercado interbancário fechou a última sessão em queda de 1,42%, a 5,2883 reais, menor patamar para encerramento desde o último dia 9 (5,1845).

. Dólar/Real (BRBY): -0,34%, a 5,2711 reais na venda;

. Euro/Dólar EURUSD: +0,38%, a 1,0366 dólar;

. Dólar/Cesta de moedas DXY: -0,26%, a 106,580.

BOVESPA

O Ibovespa avançava nesta quarta-feira, apoiado pelo cenário externo favorável, com Petrobras e Vale mais uma vez entre os principais componentes positivos, enquanto no Brasil as atenções seguem voltadas para a PEC da Transição.

Apesar da alta, o principal índice da bolsa paulista ainda caminha para um desempenho negativo em novembro, pressionado por incertezas relacionadas principalmente ao rumo fiscal do país.

No exterior, perspectivas de que o governo chinês está disposto a arrefecer a política de Covid zero corroboravam o sentimento mais positivo nos mercados.

"Isso traz a sensação de que a economia chinesa vai voltar a crescer e de uma forma um pouco mais forte", afirmou Leonardo Neves, especialista em renda variável da Blue3.

A equipe de Economia do Bradesco também destacou que investidores seguem atentos ao pronunciamento de Jerome Powell, chair do Federal Reserve, à tarde.

"Pode reforçar sinais de que a autoridade monetária irá desacelerar o ritmo de altas de juros, já a partir de sua próxima reunião de política monetária, em dezembro", afirmou em relatório a clientes.

Em Wall Street, o S&P 500 SPX rondava a estabilidade.

No Brasil, apostas de que a PEC da Transição, que amplia o espaço para gastos públicos a partir de 2023 e começou a tramitar no Senado, seja desidratada no Congresso corroboravam compras, embora ainda existam incertezas no radar.

De acordo com Neves, da Blue3, a percepção é de que há chance de a PEC ser enxugada e resultar em um furo um pouco menor do teto de gastos, e isso em conjunto com o desempenho das commodities dá suporte ao Ibovespa.

DESTAQUES

- PETROBRAS PN PETR3 subia 3,51%, a 26,27 reais, revertendo a perda acumulada no mês até a véspera, endossada nesta sessão pela forte alta do petróleo no exterior, com o Brent BRN1! subindo 3,04%. A ação, porém, permanece distante das máximas de outubro, quando chegou a 33,59 reais. A companhia divulga nesta quarta-feira seu plano estratégico, mas a expectativa é de que o mesmo seja revisto.

- VALE ON VALE3 avançava 1,92%, a 86,06 reais, apesar da ligeira queda dos preços futuros do minério de ferro na China e em Cingapura, que reagiram a uma contração na atividade fabril na China, maior produtora mundial de aço.

- NATURA&CO ON NTCO3 subia 1,82%, a 11,72 reais, após a fabricante de cosméticos Natura&Co afirmar que avalia vender uma participação minoritária em sua marca Aesop, embora tenha ponderado que processo ainda está em estágios iniciais de consultas e nenhuma decisão foi tomada.

- ASSAÍ ON ASAI3 valorizava-se 2,16%, a 19,82 reais, após o grupo francês de supermercados Casino CO vender uma participação de 10,44% da rede atacarejo a 19 reais por ação, levantando cerca de 2,68 bilhões de reais.

- KLABIN UNIT KLBN3 recuava 1,45%, a 19,71 reais, tendo como pano de fundo evento da empresa com analistas e investidores nesta quarta-feira. O presidente-executivo da companhia, Cristiano Teixeira, afirmou que o cenário econômico global preocupa a companhia, mas que o modelo de negócio da empresa é de longo prazo e que a maior fabricante de papel para embalagens do país mantém projetos de investimento.

. Ibovespa IBOV: +0,69%, a 111.670,91 pontos;

. Volume financeiro: R$6,4 bi

. Índice dos principais ADRs brasileiros (.BR20): +1,34%, a 17.160,07 pontos.

Para ver as maiores altas do Ibovespa, clique em (.PG.BVSP)

Para ver as maiores baixas do Ibovespa, clique em (.PL.BVSP)

JURO

Mês

Ticker

Taxa (% a.a.)

Ajuste anterior (% a.a.)

Variação (p.p.)

JAN/23

(DIJF23)

13,686

13,688

-0,002

JAN/24

(DIJF24)

13,945

13,965

-0,02

JAN/25

(DIJF25)

13,09

13,17

-0,08

JAN/26

(DIJF26)

12,87

12,945

-0,075

JAN/27

(DIJF27)

12,79

12,875

-0,085

BOLSAS DOS EUA

Os índices de ações dos Estados Unidos abriram com poucas oscilações nesta quarta-feira, antes de comentários do chair do Federal Reserve, Jerome Powell, que podem providenciar sinais de desaceleração no ritmo de aumento dos juros pelo banco central norte-americano.

. Dow Jones DJI: -0,46%, a 33.698,16 pontos;

. Standard & Poor's 500 SPX: -0,12%, a 3.952,97 pontos;

. Nasdaq IXIC: +0,26%, a 11.012,12 pontos.

BOLSAS DA EUROPA

O índice pan-europeu STOXX 600 SXXP tinha alta de 0,53%, a 439,61 pontos.

Em LONDRES, o índice Financial Times UK100 avançava 0,89%, a 7.579,06 pontos.

Em FRANKFURT, o índice DAX DAX subia 0,16%, a 14.377,85 pontos.

Em PARIS, o índice CAC-40 PX1 ganhava 0,70%, a 6.715,46 pontos.

Em MILÃO, o índice Ftse/Mib FTSEMIB tinha valorização de 0,19%, a 24.513,30 pontos.

Em MADRI, o índice Ibex-35 IBC registrava alta de 0,23%, a 8.341,60 pontos.

Em LISBOA, o índice PSI20 PSI20 valorizava-se 0,29%, a 5.847,61 pontos.

DÍVIDA

. Treasuries de 10 anos US10Y: rendimento em alta a 3,785%, ante 3,748% no pregão anterior;

PETRÓLEO

. Nymex - CL1!: 3,04%, a 80,58 dólares por barril;

. ICE Futures Europe - Brent BRN1!: 2,82%, a 85,37 dólares por barril.

((Redação São Paulo, 55 11 56447757))

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