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Apostas em alta de juros do Fed afetam ativos da América Latina

A maioria das ações e moedas da América Latina caíam nesta quarta-feira com o peso chileno em mais uma mínima recorde, após o apetite por risco ser afetado por comentários agressivos dos formuladores de política monetária do banco central dos Estados Unidos.

Nesta quarta-feira, o chair do Fed, Jerome Powell, manteve a postura agressiva com a inflação do banco central norte-americano e citou o aumento da inflação como um risco maior que uma possível recessão. Isso depois de comentários "hawkish" de membros do Fed pressionando por aumentos maiores e mais rápidos dos juros, o que diminuía o apetite por risco e elevava o dólar.

"Mercados emergentes e commodities podem ficar sob pressão se o dólar continuar saltando", disse Russ Mould, diretor de investimentos da AJ Bell.

"Muitas nações emergentes tomam empréstimos em dólares, e a fraqueza de sua moeda em relação à norte-americana torna mais caro pagar os cupons e, eventualmente, pagar os empréstimos originais."

O peso chileno USDCLP depreciava 1,3% para uma baixa recorde, conforme os preços do cobre permaneciam moderados nos menores patamares em vários meses. O peso colombiano USDCOP perdia 0,5%, enquanto o peso mexicano USDMXN ficava estável.

Temores de que um aperto monetário agressivo leve as economias à recessão tomou conta dos mercados este ano. O índice MSCI de ações de mercados emergentes EFS está a caminho de sua maior queda trimestral desde as perdas causadas pelo coronavírus no primeiro trimestre de 2020 e seu pior primeiro semestre desde pelo menos 2008.

As moedas de mercados emergentes (.MIEM0000CUS) estão a caminho de seu desempenho mais fraco no primeiro semestre desde 2020.

Além dos demais problemas, os casos de Covid-19 no continente americano aumentaram cerca de 14% na semana passada em relação à anterior, informou a Organização Pan-Americana da Saúde nesta quarta-feira. A América do Sul foi a mais afetada, com um aumento de 32,8% na taxa de mortalidade por Covid em relação à semana anterior, disse a instituição.

As bolsas latino-americanas acompanharam uma sessão agitada em Wall Street e recuaram, com o principal índice da Colômbia (.COLCAP) em queda de 2,0% e o Ibovespa IBOV em baixa de 0,9%.

O real (BRBY) foi um ponto fora da curva e subiu, se recuperando de mínimas em quatro meses, enquanto o mercado se prepara para lidar com a volatilidade resultante das eleições em outubro.

((Tradução Redação Brasília))

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