O Super El Niño vai reprecificar os alimentos no mundo?Um duplo choque ameaça agora o sistema alimentar global. A NOAA prevê uma probabilidade de 63% de um El Niño muito forte, com as temperaturas da superfície do mar no Pacífico já acima de 2,0 °C. As autoridades meteorológicas da China alertam que o evento pode rivalizar com o recorde do super El Niño de 1997-98. Esta anomalia climática colide com a guerra em curso no Irão, que estrangulou o Estreito de Ormuz. Esse ponto de estrangulamento lida com cerca de 30% do comércio global de fertilizantes e mais de 36% das exportações mundiais de ureia, pelo que os ataques militares a centros como Ras Laffan, no Qatar, desencadearam declarações de força maior e picos imediatos de preços.
O mecanismo funciona através de culturas intensivas em azoto. O azoto representa mais de 50% da procura global de nutrientes para as culturas, e o arroz enfrenta uma seca grave na Índia e no Sudeste Asiático. Os agricultores em regiões altamente importadoras reduziram as aplicações de fertilizantes, diminuindo diretamente os rendimentos. A Goldman Sachs projeta um aumento de 15,8% nos preços internacionais dos alimentos, enquanto a UniCredit projeta uma perda de produção agrícola de 14,3%, no valor de 342 mil milhões de dólares. Os economistas alertam que esta "climainflação" poderá persistir até ao final de 2028, complicando os esforços dos bancos centrais para separar os choques de oferta da inflação subjacente.
Para os mercados, a divisão é acentuada. O artigo sinaliza configurações de alta no arroz, cobre e carvão chinês, juntamente com pressões de baixa sobre a soja e o gás natural dos EUA. Produtores puros de azoto, como a CF Industries, e empresas de sementes, como a Corteva, deverão beneficiar, enquanto a Mosaic, dependente de potássio, enfrenta ventos contrários. Do lado defensivo, o agronegócio apoia-se cada vez mais na biotecnologia, incluindo a edição CRISPR-Cas9 e o arroz DRR Dhan 100 da Índia, tolerante à salinidade. O artigo também alerta para uma ameaça crescente de cibersegurança, observando que 90% dos atacantes em redes IT-OT da cadeia alimentar usam técnicas "living-off-the-land".
O veredicto estratégico é que os parâmetros históricos já não se aplicam. O conflito geopolítico e a volatilidade climática fundiram-se num risco único e implacável para as cadeias de abastecimento. A análise defende que a segurança alimentar é agora uma prioridade de defesa nacional e que as empresas que integram a resiliência climática e a defesa digital terão um desempenho superior ao daquelas que dependem dos pressupostos de ontem.
