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VALE3 - análise histórica

Viés de alta
BMFBOVESPA:VALE3   VALE ON NM
Para quem é investidor percebe-se que a Vale é uma empresa que entrega resultados cíclicos. Através do gráfico constata-se três grandes períodos onde o ativo esteve numa crescente, são eles, maio/00 a outrubro/07, fevereiro/16 a setembro/18 e abril/20 até o presente momento. Há de se considerar que a empresa tem grande dependência de seu principal comprador, a China, e que o seu negócio possui uma infinidade de variáveis que influenciam no preço, não só a operação de minerar, mas questões energéticas, logística, geopolítica, segurança de barragens e a legislação brasileira são notáveis componentes que devem ser observados.

Ao concentrar a atenção em narrativas recentes a respeito deste negócio se vê o seguinte panorama:
Existe uma incerteza em relação a oferta global de minério de ferro neste ano, a forte demanda por minério das siderúrgicas chinesas e os estoques de minério nos portos da China levemente abaixo dos patamares históricos pode manter a commodity em níveis elevados por mais tempo. Atualmente, o minério negociado no porto de Qingdao, na China, está por volta de US$ 170 a tonelada. A Vale teve sólidos resultados ano passado e vai pagar dividendos elevados, com retorno (yield) superior a 10%.

O Brasil através da Vale é o segundo maior exportador de minério de ferro para a China. O primeiro maior exportador deste minério é a Austrália, que vem sofrendo sanções da China devido sua postura antagônica frente ao governo comunista. A China vem aumentando de forma significativa o uso de medidas contra a Austrália impondo pesadas tarifas sobre alguns dos principais produtos da pauta exportadora australiana como a cevada, carne, algodão, carvão e, mais recentemente, os vinhos. A ação faz parte da estratégia lançada pelo governo chinês em resposta depois que a Austrália pressionou por uma investigação internacional sobre a origem do novo coronavírus e o primeiro-ministro australiano, Scott Morrisson enviou uma carta aos líderes do G20 em busca de apoio para a investigação. Segundo um especialista em comércio exterior, que falou sob a condição de anonimato, "a forte ofensiva chinesa deveria servir de alerta para o governo de Jair Bolsonaro pois se a escalada verbal lançada pelo presidente e seguida por sucessivas manifestação de seu filho e deputado Eduardo Bolsonaro e integrantes do primeiro escalão do governo continuar, o Brasil poderá ter um alto preço a pagar .É importante que o governo brasileiro esteja atento aos fatos recentes nas relações comerciais entre a China e a Austrália pois o mesmo poderá acontecer num futuro próximo no intercâmbio do Brasil com a China". Entendo que medidas semelhantes pode acontecer frente ao Brasil como forma indireta do governo Chinês pressionar políticas a seu favor aqui no nosso país, setores como o da soja, petróleo, carne e minério de ferro podem pagar o preço. Mas também pode acontecer de haver mais pressões sonbre comércio de minério de ferro entre Austrália e China e isso prejudicar o abastecimento Chinês, o que traria maior dependência ao fornecimento do minério pela Vale.

Existem importantes diferenças mas também grande similaridades entre as relações da Austrália e do Brasil com a China. Em comum, há o fato de que a exemplo do que acontece com o Brasil, a China é o principal parceiro comercial dos australianos, com uma corrente de comércio (exportações+importações) da ordem de US$ 170 bilhões, bem superior ao fluxo entre o Brasil e a China, no total de US$ 98,6 bilhões em 2019 e que este ano superará a cifra de US$ 100 bilhões. A China é o destino de 39% das exportações australianas e absorveu, no ano passado,28,1% do total exportado pelo Brasil em 2019, participação que cresceu para 33,6% de janeiro a outubro deste ano. Ao contrário do que acontece nas conturbadas relações entre os Estados Unidos e a China, a disputa China-Austrália não pode ser classificada como uma "guerra comercial" e o motivo é simples: em momento algum o governo australianos adotou medidas retaliatórias contra os chineses.

Ao que tudo indica, o minério de ferro será mantido à margem nesse contencioso plano Chinês de retaliações comerciais pressionando governos a ceder aos seus interesses fazendo valer o velho ditado onde o cliente tem sempre a razão. Segundo o Global Times" é muito difícil que a commodity venha a ser alvo de uma medida concreta por parte do governo chinês, devido à elevada dependência que a China tem do produto importado. Mas não se engane, a China vem adotando estratégias para minimizar essa dependência e pulverizar suas fontes de matérias primas na África e especialmente na Guiné.


O BTC /total de ações da Vale vem caindo desde 17/dezembro e até ontem estava em 4,03%. Houve um decréscimo no lucro líquido no ano de 2019, aguarda-se um resultado positivo para 2020. No gráfico se vê que pela retração de Fibo que o preço pode oscilar na região dos 75 a 86 reais no caso de uma retração, e pela extensão de Fibo o preço pode oscilar na região dos 103 a 131 reais no caso da continuação do movimento altista.

@traderanarquista

Comentários

Se puder comentar quanto a margem da Vale será interessante, fiquei sabendo que o custo por ton é na casa de Us 45 , porém não sei em que cotação fora feita este custo em Dolar, acredito que com o dolar mais baixo ainda, ou seja, mesmo com perda de produção e oscilações no mercado de minério, esta margem ainda deve compensar, logo vejo que a Vale tem condições de pagar bons dividendos e acima dos 10% sem comprometer o seus investimentos futuros e caso Brumadinho.
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free4444love edpiona2020
@edpiona2020, Difícl comentar a margem de forma exata, o que eu vejo é que ela ainda está num canal de alta.
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Ótima análise. Uma dúvida: quando será divulgado o % de dividendos anuais da Vale?
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free4444love Leovillao
@Leovillao, acessa o site do RI da Vale.
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