Morning Call - 16/09/2026 - Especial de Taxa de Juros do Fed

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Agenda de Indicadores:
9:00 – BRA – IBC-Br (Julho)
9:15 – USA – Vendas no Varejo (Agosto)
11:30 – USA – Estoques de Petróleo Bruto
12:30 – USA – PIB Agora do Fed de Atlanta (3º Trimestre)
14:30 – BRA – Fluxo Cambial Estrangeiros
15:00 – USA – Decisão de Taxa de Juros do Fed
15:00 – USA – Projeções Econômicas do Fed
18:30 – BRA – Decisão de Taxa de Juros

Agenda de Autoridades:
15:30 – USA – Coletiva de Imprensa com o presidente do Fed, Kevin Warsh


Brasil

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Acompanhe o Pré-Market de NY: EWZ VALE PBR ITUB BBD BSBR

Ativos brasileiros negociados na ActivTrades BRA50 $ACTIVTRADES:MINDOLV2026


Estados Unidos

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Os futuros dos principais índices de Nova York — USA500, USAIND, USATEC e USARUS — operam sem direção única nesta quarta-feira, após dois dias consecutivos de queda. O recuo do petróleo oferece algum alívio, mas os traders evitam grandes posições antes da decisão de juros do Federal Reserve, marcada para as 15h (horário de Brasília).

Os traders atribuem agora cerca de 93% de probabilidade a uma alta dos juros, segundo a ferramenta CME FedWatch. Apesar da forte precificação, ainda existe incerteza sobre a decisão e, principalmente, sobre a sinalização para as próximas reuniões.

Para Yung-Shin Kung, diretor de investimentos da Mast Investments: "A precificação do mercado para um aumento da taxa de juros está excessivamente otimista. Um aumento de juros pode ser uma ferramenta pouco eficaz para lidar com os principais fatores que impulsionam a inflação, como tarifas alfandegárias e a expansão da infraestrutura de inteligência artificial".

A energia apresenta uma trégua nesta manhã. O Brent recua cerca de 0,5%, para US$ 104,70 por barril, depois que dados do American Petroleum Institute (API) mostraram uma alta inesperadamente forte dos estoques americanos.

Os estoques privados de petróleo bruto aumentaram em mais de 7 milhões de barris na última semana, contrariando a expectativa de queda de aproximadamente 1,8 milhão.

Entre as petrolíferas, Chevron e ConocoPhillips recuam cerca de 0,3% no pré-mercado.

A tecnologia, outro ponto de atenção das últimas sessões, apresenta desempenho misto. Nvidia avança menos de 1% e Meta opera próxima da estabilidade, enquanto Microsoft e Apple registram pequenas perdas.

Entre as fabricantes de semicondutores, Intel se destaca com alta superior a 5%, enquanto Marvell Technology avança quase 2%.


Especial: Decisão de Taxa de Juros do Fed

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O Federal Reserve anuncia sua decisão de política monetária às 15h (horário de Brasília) desta quarta-feira, encerrando uma reunião de dois dias que pode marcar a primeira alta dos juros desde 2023.

O mercado considera amplamente provável um aumento de 25 pontos-base, levando a taxa dos Fed Funds da atual faixa de 3,50%–3,75% para 3,75%–4,00%.

Mais importante do que a decisão, porém, será descobrir se o movimento representa apenas um ajuste diante da recente deterioração da inflação ou o início de um novo ciclo de aperto monetário.


O que mudou?

Há apenas uma semana, a expectativa predominante entre economistas era de manutenção dos juros. Desde então, três fatores alteraram significativamente o cenário: inflação acima do esperado, petróleo acima de US$ 100 e forte alta dos rendimentos dos Treasuries.

O núcleo do IPC avançou 0,3% em agosto, ritmo ainda incompatível com uma convergência confortável da inflação para a meta de 2%.

Ao mesmo tempo, a retomada das hostilidades no Oriente Médio levou o petróleo novamente para acima de US$ 100 por barril, criando uma nova fonte de pressão sobre combustíveis, transporte e custos de produção.

A reação também chegou ao mercado de títulos. O rendimento do Treasury de 10 anos atingiu 5% nesta semana, refletindo tanto as preocupações com a inflação quanto a expectativa de juros mais altos.

Para o Fed, o problema deixa de ser apenas onde está a inflação hoje. A questão passa a ser se o novo choque de energia poderá interromper o processo de desinflação e contaminar as expectativas para os próximos meses.


Warsh e o teste de credibilidade

Desde o início de seu mandato, Warsh tem evitado fornecer orientações claras sobre a trajetória futura dos juros. Em Jackson Hole, porém, afirmou que gostaria de observar a inflação caminhando para 2% de forma clara e em velocidade suficiente. Os últimos dados dificultaram essa narrativa.

Para Michael Feroli, economista do JPMorgan, os repetidos alertas de Warsh sobre sua intolerância à inflação criam um problema de credibilidade caso não sejam acompanhados por alguma ação do banco central.

Derek Holt, do Scotiabank, considera uma alta neste momento equivocada, mas avalia que a própria comunicação de Warsh tornou difícil justificar uma manutenção dos juros diante da atual precificação dos mercados.

O dilema é particularmente importante porque Warsh tem atribuído grande importância aos sinais enviados pelos mercados financeiros. Se o Fed surpreender mantendo os juros enquanto petróleo, inflação e rendimentos permanecem elevados, o risco é provocar uma nova pressão sobre os Treasuries de longo prazo.


O FOMC mudou de posição?

A reunião também deverá revelar até que ponto o equilíbrio interno do Fed se deslocou nas últimas semanas. No início de setembro, Christopher Waller ainda defendia dar mais tempo para que a desinflação aparecesse nos dados, enquanto John Williams, presidente do Fed de Nova York, argumentava que seria prudente esperar novas informações antes de alterar novamente a política monetária.

Do outro lado estavam Beth Hammack, do Fed de Cleveland, Lorie Logan, de Dallas, e Neel Kashkari, de Minneapolis, que já haviam defendido uma alta de 25 pontos-base na reunião de julho.

Com o núcleo avançando 0,3% no mês e o petróleo novamente acima de US$ 100, economistas consideram possível que Waller e Williams passem a apoiar um aumento, formando uma maioria confortável para Warsh.

A votação, portanto, será importante. Uma decisão praticamente unânime transmitiria uma mensagem muito diferente de uma alta acompanhada por várias dissidências favoráveis à manutenção.


E dezembro?

É aqui que provavelmente estará a informação mais importante para os mercados.
Uma alta de 25 pontos-base nesta quarta-feira já está amplamente incorporada aos preços. A maior dúvida é se o Fed sinalizará que poderá voltar a aumentar os juros ainda neste ano.

Se as novas projeções dos membros apontarem para outra alta, o mercado poderá interpretar a decisão como o início de uma nova fase de aperto monetário.

Isso colocaria Warsh em uma situação desconfortável. O presidente do Fed prefere evitar forward guidance, mas provavelmente será questionado repetidamente durante a coletiva sobre as condições necessárias para uma nova alta.

Oscar Munoz, economista da TD Securities, destaca justamente esse dilema: se o Fed iniciar um novo aperto, Warsh terá dificuldade para evitar perguntas sobre a continuidade do movimento sem deixar o mercado completamente aberto a novas altas.

A decisão ocorre ainda em um ambiente político particularmente sensível. Donald Trump escolheu Warsh para comandar o Federal Reserve esperando uma trajetória de juros mais baixos. Uma alta poucos meses antes das eleições de meio de mandato de novembro vai exatamente na direção oposta.

Juros mais elevados aumentam os custos de hipotecas, financiamentos, cartões de crédito e empréstimos empresariais, justamente quando o aumento dos preços de energia e alimentos já pressiona o orçamento das famílias.

Warsh, portanto, chega à reunião pressionado por dois lados: a Casa Branca deseja juros menores, enquanto inflação, petróleo e mercado de títulos pressionam o Fed na direção contrária.


O que observar:

A alta de 25 pontos-base é apenas o primeiro elemento da decisão. Para os mercados, quatro pontos deverão determinar a reação:
1. Decisão: alta de 25 pontos-base para 3,75%–4,00% é o cenário amplamente esperado.
2. Votação: quantos membros ainda defenderão a manutenção dos juros?
3. Projeções: o novo dot plot indicará outra alta ainda em 2026?
4. Warsh: como o presidente do Fed conciliará sua resistência ao forward guidance com a necessidade de explicar se o aperto monetário continuará?

O cenário mais delicado para os mercados não é necessariamente uma alta nesta quarta-feira, porque ela já está amplamente precificada. A principal questão é o que vem depois.

Se Warsh tratar o movimento como uma resposta preventiva à deterioração recente da inflação, preservando flexibilidade para as próximas reuniões, o mercado poderá interpretar a decisão como um ajuste pontual.

Se, por outro lado, as projeções e a coletiva indicarem que petróleo elevado e inflação persistente exigirão novos aumentos, a discussão mudará rapidamente de “o Fed vai subir os juros?” para “até onde os juros precisarão subir?” Essa será a verdadeira mensagem da reunião desta quarta-feira.


Europa

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Os principais índices acionários da Europa — EURO50, GER40, GERMID50, ESP35, UK100, FRA40, ITA40 e SWI20 — avançam nesta quarta-feira, interrompendo uma sequência de duas sessões de queda. O recuo do petróleo oferece algum alívio aos ativos de risco, enquanto os traders aguardam a decisão de juros do Federal Reserve ainda hoje.

A recente escalada dos preços da energia, provocada pelo conflito no Oriente Médio, reacendeu as preocupações com a inflação e levou a uma rápida reprecificação da política monetária americana. Os mercados atribuem agora cerca de 93% de probabilidade a uma alta de 25 pontos-base pelo Fed, segundo a ferramenta CME FedWatch.

Com o petróleo interrompendo momentaneamente a trajetória de alta, alguns dos setores mais pressionados nas últimas sessões apresentam recuperação. Os bancos estão entre os destaques positivos, com Barclays avançando 1,4% e Standard Chartered subindo 1,7%.
Entre as ações individuais, Babcock International ganha 2,5% após o grupo britânico de defesa e engenharia manter suas projeções para o ano.

Barratt Redrow avança 5,1%, apesar de reduzir sua meta de conclusão de residências para o ano fiscal de 2027. A construtora atribuiu a revisão aos atrasos nos processos de planejamento e ao menor número de inaugurações de novos pontos de venda.

Apesar da recuperação desta manhã, a cautela permanece antes do anúncio do Fed. Com uma alta de 25 pontos-base amplamente precificada, a reação das bolsas europeias deverá depender principalmente da sinalização de Kevin Warsh sobre a possibilidade de novos aumentos dos juros nos próximos meses.

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