Morning Call - 03/03/2026 - Preços do Gás Disparam na Europa

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Agenda de Indicadores:
10:00 – BRA – PIB Anual e do 4T25
14:30 – BRA – Caged
18:30 – USA – Estoques de Petróleo Bruto Semanal API

Agenda de Autoridades:
11:55 – USA – John Williams, do Fed de Nova York (Vota), discursa na Conferência de Assuntos Governamentais da America's Credit Unions
12:10 – USA – Jeffrey Schmid, do Fed de Kansas City (Não Vota), discursa sobre política monetária e perspectivas econômicas no Metro Denver Executive Club.
13:55 – USA – Neel Kashkari, do Fed de Minneapolis (Vota), participa de um debate na Conferência Bloomberg Invest de 2026.


Brasil

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Acompanhe o Pré-Market de NY: EWZ VALE PBR ITUB BBD BSBR

Ativos brasileiros negociados na ActivTrades BRA50 $ACTIVTRADES:MINDOLH2026


Estados Unidos

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Os futuros dos índices de Nova York — USA500, USAIND, USATEC e USARUS — aprofundam as perdas nesta terça-feira, com quedas que chegam a 2,5%. O movimento reflete a intensificação dos ataques conduzidos por Estados Unidos e Israel contra o Irã e a crescente preocupação de que a disparada dos preços de energia reacenda pressões inflacionárias.

O índice de volatilidade VIX USAVIXH2026 avança cerca de 10% e volta a superar os 23 pontos, indicando aumento relevante na demanda por proteção via opções.

Com o conflito sem sinais claros de desescalada, o petróleo sobe aproximadamente 6%, enquanto o dólar se fortalece frente a outras moedas. No mercado de renda fixa, o rendimento do Treasury de 10 anos avança para o nível mais alto em mais de uma semana, refletindo tanto o prêmio de risco geopolítico quanto o receio de inflação mais persistente.

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O fechamento do Estreito de Ormuz ao tráfego marítimo amplia os riscos de contágio para a economia global, já que a via concentra parcela relevante do comércio de petróleo. Um choque prolongado nos preços da energia pode complicar ainda mais o cenário para o Federal Reserve, em um momento em que a inflação já se mostra resiliente e há divergências entre os formuladores de política monetária sobre o momento adequado para cortes de juros.

Diante desse quadro, o mercado reduz as apostas de afrouxamento no curto prazo. A atenção agora se volta para a agenda econômica da semana, que inclui vendas no varejo, relatório de emprego da ADP e o payroll, dados que poderão recalibrar as expectativas para a trajetória das taxas.

Também estão no radar discursos de dirigentes do Fed, como John Williams, Jeffrey Schmid e Neel Kashkari, cujas declarações podem oferecer pistas adicionais sobre o equilíbrio de forças dentro do banco central em meio ao novo choque geopolítico.


Europa

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Os principais índices acionários da Europa — EURO50, GER40, GERMID50, ESP35, UK100, FRA40, ITA40 e SWI20 — despencam para mínimas de um mês nesta terça-feira, à medida que os traders passam a precificar a possibilidade de um conflito prolongado no Oriente Médio e seus efeitos inflacionários via petróleo e gás natural.
O Euro Stoxx 50 EURO50 cai 3,5%, a caminho da maior queda diária desde abril. Mantido o ritmo, o índice acumulará recuo de cerca de 5,5% em apenas duas sessões.

Na Alemanha, o mercado atinge o menor nível em quase dois meses; na França, os índices oscilam próximos das mínimas de um mês; a Espanha registra o piso em mais de dois meses; e o mercado londrino recua ao menor patamar em duas semanas.

O movimento é amplo. Todos os setores do Stoxx 600 operam no vermelho, com o segmento financeiro liderando as perdas. O índice bancário cai ao menor nível em quase três meses, com destaque para instituições britânicas consideradas mais expostas à região do conflito. O setor de seguros também recua 3,9%, refletindo o aumento das incertezas e dos riscos geopolíticos.

Mesmo com o salto do petróleo, as ações de energia mostram desempenho apenas estável, evidenciando que, em momentos de forte aversão ao risco, a alta da commodity pode ser interpretada mais como choque macroeconômico negativo do que como impulso direto aos lucros.

As companhias aéreas permanecem sob forte pressão. A Lufthansa cai 4%, enquanto a controladora da British Airways, International Airlines Group, recua 5,2%, e a Air France-KLM perde 5%.

O fechamento do Estreito de Ormuz ao tráfego marítimo interrompeu o transporte comercial pelo Golfo, uma artéria crucial para o abastecimento energético europeu. A dependência de importações torna o continente particularmente vulnerável a um choque prolongado, em contraste com os Estados Unidos, que hoje são exportadores líquidos de energia.

O novo cenário impõe desafios adicionais tanto ao Banco Central Europeu quanto ao Banco da Inglaterra. O economista-chefe do BCE, Philip Lane, afirmou que uma guerra prolongada poderia elevar significativamente a inflação e comprometer o crescimento da zona do euro.

Dados recentes reforçam a preocupação: a inflação da União Europeia avançou 2,4% em relação ao mesmo mês do ano anterior, acima da expectativa de estabilidade em 2,2%. O temor é de que um novo choque energético reacenda as pressões de preços justamente quando a atividade econômica já demonstra fragilidade.


Ásia/Pacífico

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Os mercados da Ásia-Pacífico despencaram na madrugada desta terça-feira, refletindo a escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã e desencadeando um forte movimento global de aversão ao risco.

O destaque negativo ficou com o Kospi KOSPI, da Coreia do Sul, que caiu 7,2% na volta do feriado, registrando o pior desempenho diário em 19 meses. A liquidação foi amplificada por vendas de investidores estrangeiros, após um período de ganhos expressivos no último ano, quando mercados fora dos EUA foram beneficiados por fluxos internacionais de capital.

Entre os pesos pesados do índice, a Samsung Electronics tombou 10%, enquanto a SK Hynix recuou 11,5%. No setor automotivo, a Hyundai Motor Company perdeu 12%. Das 926 ações negociadas no país, apenas 75 fecharam em alta — concentradas principalmente em refinarias, empresas de transporte marítimo e companhias de defesa — enquanto 842 encerraram no vermelho.

No Japão, o Nikkei NI225 caiu 3%, com poucos papéis conseguindo se sustentar no campo positivo. Entre os destaques negativos, a Toyota Motor Corporation recuou 6,1%, enquanto a Mitsubishi Corporation perdeu 5%.

Na China continental e em Hong Kong — Shenzhen 399001, China A50 XIN9, Hang Seng HSI e Shanghai 000001 — o movimento também foi de queda generalizada, com perdas entre 1% e 3%, acompanhando o clima de tensão global.

Em Taiwan, o TWSE 50 TW50 caiu 2,2%, com a Taiwan Semiconductor Manufacturing Company recuando cerca de 2%.

Na Austrália, o ASX 200 XJO perdeu 1,3%, pressionado sobretudo pelas mineradoras, enquanto os grandes bancos conseguiram limitar as perdas e fecharam próximos da estabilidade.


Commodities

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O ouro GOLD recua cerca de 1% e a prata $ACTIVTRADES:SILVE despenca 6% nesta terça-feira, pressionados pela valorização do dólar e pela forte alta dos rendimentos dos Treasuries. O movimento reflete o temor de que a escalada dos preços de energia reacenda a inflação e reduza a probabilidade de cortes de juros pelo Federal Reserve no curto prazo.

O cobre COPPERK2026 opera em queda próxima de 3%, em meio às incertezas sobre comércio global e ao risco geopolítico crescente.

No mercado de energia, a reação é mais intensa. Os contratos do Brent BRENT e do WTI LCRUDE avançam mais de US$ 5 por barril, alta superior a 5%, após a intensificação do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã e as ameaças à navegação no Estreito de Ormuz — rota por onde transita mais de 14 milhões de barris por dia, representando quase um terço das exportações globais de petróleo bruto marítimo do mundo.

Segundo Tony Sycamore, da IG Group, a ausência de sinais de desescalada e o fechamento efetivo do estreito mantêm os riscos altistas no radar, especialmente diante da disposição iraniana de atacar a infraestrutura energética regional.

Os confrontos se intensificaram na segunda-feira, com ataques israelenses no Líbano e retaliações iranianas contra instalações energéticas no Golfo e contra petroleiros na região. Navios-tanque e porta-contêineres passaram a evitar a hidrovia após seguradoras suspenderem cobertura para embarcações que transitem pelo estreito. A mídia iraniana informou que um oficial da Guarda Revolucionária do Irã declarou o Estreito de Ormuz fechado, alertando que qualquer navio que tente cruzá-lo poderá ser alvo.

Analistas do ING Group destacaram que, além do risco logístico, um cenário ainda mais crítico seria a ampliação dos ataques a infraestrutura energética regional, o que poderia provocar interrupções prolongadas na oferta.

A consultoria Bernstein elevou sua projeção para o Brent em 2026 de US$ 65 para US$ 80 por barril, mas admite que, em um cenário extremo de conflito prolongado, os preços poderiam atingir a faixa de US$ 120 a US$ 150.

Os derivados também disparam. Após um ataque com drone levar a Arábia Saudita a fechar sua maior refinaria, os contratos futuros de diesel ultrabaixo teor de enxofre nos EUA subiram 8,3%, para US$ 3,1404 por galão, enquanto a gasolina avançou 3,8%, para US$ 2,4620 por galão.

Na Europa, os contratos de gás natural Dutch TTF negociados na ICE ENDEX saltam mais de 50%, para €56,50, refletindo o risco crescente de disrupção no fornecimento energético.

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O cenário reforça a leitura de que a energia voltou ao centro da dinâmica macroeconômica global, com impacto direto sobre inflação, política monetária e apetite por risco nos mercados financeiros.

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