Os preços do ouro subiram nas primeiras negociações de terça-feira, recuperando terreno acima dos 2.900 dólares. A procura pelo metal precioso como ativo de refúgio está a aumentar, à medida que o apetite pelo risco diminui nos mercados financeiros. A sessão de ontem evidenciou essa tendência, com os principais índices bolsistas a registarem perdas significativas. Os investidores estão cada vez mais preocupados com a política errática da administração dos EUA—tanto em questões comerciais como na gestão de alianças geopolíticas de longa data. As potenciais consequências incluem uma recessão nos EUA, um aumento do protecionismo a nível global e uma maior instabilidade geopolítica. Neste contexto, crescem as expectativas de uma Reserva Federal mais acomodatícia, o que pesa sobre o dólar. Ao mesmo tempo, os receios de recessão impulsionam a procura por obrigações do Tesouro dos EUA, reduzindo as yields e tornando o ouro, um ativo sem retorno, ainda mais aliciante. Os traders estarão também atentos à divulgação dos dados de emprego nos EUA hoje e ao índice de preços no consumidor (CPI) amanhã, procurando mais sinais de abrandamento económico e riscos inflacionistas—ambos fatores que poderão influenciar a política monetária da Fed e, consequentemente, o preço do ouro.
Ricardo Evangelista – Analista Sénior, ActivTrades
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