Morning Call - 23/02/2026 - Tarifas de Trump e Geopolítica

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Agenda de Indicadores:
CHN – Feriado de Ano Novo Lunar
JP – Feriado de Aniversário do Imperador
8:25 – BRA – Boletim Focus
10:30 – USA – Índice de Atividade Nacional do Fed de Chicago
12:00 – USA – Encomendas à Indústria
12:00 – USA – Pedidos de Bens Duráveis
12:30 – USA – Índice de Atividade das Empresas do Fed de Dallas

Agenda de Autoridades:
14:00 – USA – Christopher Waller, governador do Conselho do Fed (Vota), discursa sobre as perspectivas econômicas na 42ª Conferência Anual de Política Econômica da Associação Nacional de Economia Empresarial, intitulada "O Grande Realinhamento: Navegando pelas Mudanças na IA, Demográficas e Geoeconômicas".


Brasil

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Acompanhe o Pré-Market de NY: EWZ VALE PBR ITUB BBD BSBR

Ativos brasileiros negociados na ActivTrades BRA50 $ACTIVTRADES:MINDOLH2026


Real

Na sexta-feira, após Donald Trump anunciar a implementação de uma tarifa global de 10% para substituir as medidas anteriormente derrubadas pela Justiça, o dólar voltou a recuar nos mercados internacionais. O movimento favoreceu principalmente moedas emergentes e de países exportadores de commodities. Nesse ambiente, o real registrou a segunda maior valorização entre as 33 divisas mais líquidas acompanhadas pelo mercado, ficando atrás apenas do peso argentino.


Brasil e Índia

Durante visita oficial à Índia, o presidente Lula firmou 11 acordos governamentais e institucionais com o país asiático. Entre os principais destaques está um memorando de entendimento voltado à cooperação em terras raras e minerais críticos — insumos estratégicos para cadeias industriais ligadas à transição energética e à tecnologia.

Na área da saúde, foi fechado um acordo de transferência de tecnologia para a produção de peptídeos — incluindo medicamentos injetáveis voltados ao tratamento da obesidade — além de parcerias para a fabricação de fármacos destinados ao combate ao câncer de pele, mama e leucemia.

Nesta segunda-feira, Lula segue agenda na Coreia do Sul, onde tem encontro previsto com o presidente Lee Jae-myung e reuniões com empresários, em busca de ampliar investimentos e cooperação bilateral.


Estados Unidos

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Os futuros dos índices de Nova York — USA500, USAIND, USATEC e USARUS — operam em queda nesta segunda-feira, acompanhados pelo enfraquecimento do dólar. O movimento reflete a retomada do chamado “sell America trade”, em meio à incerteza gerada pela política comercial dos Estados Unidos.

Em busca de proteção, os traders impulsionaram o ouro e moedas consideradas refúgio, como o franco suíço. O índice de volatilidade VIX $ACTIVTRADES:USAVIX avança 1,2%, girando em torno dos 20 pontos.

No setor de tecnologia, empresas de cibersegurança registraram forte queda na sexta-feira após a Anthropic lançar um novo recurso de segurança em seu modelo Claude AI. Segundo a companhia, a ferramenta é capaz de identificar vulnerabilidades e sugerir correções em códigos, movimento que levantou dúvidas sobre o potencial de disrupção no segmento.

No campo financeiro, a Blue Owl Capital informou ter encontrado quatro compradores para um portfólio de US$ 1,4 bilhão em empréstimos, incluindo grandes fundos de pensão e sua própria seguradora. A iniciativa faz parte de um plano para recompor liquidez e atender a uma recente onda de pedidos de resgate por parte de investidores.


Trump, Tarifas e Suprema Corte

A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu, por 6 votos a 3, invalidar as tarifas comerciais amplas impostas por Donald Trump com base em uma legislação voltada a situações de emergência nacional. A decisão representa um revés expressivo para o ex-presidente e adiciona novos elementos de incerteza ao comércio internacional.

A resposta da Casa Branca foi imediata. Trump afirmou que dispõe de “outras alternativas” para manter sua política tarifária e, amparado na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, anunciou uma tarifa global de 10% na sexta-feira, elevada para 15% no sábado. A medida, cumulativa às tarifas já em vigor, terá duração de 150 dias — cerca de cinco meses — com início previsto para esta segunda-feira (24).

Especialistas apontam que o arsenal jurídico disponível ao governo americano vai além da Seção 122. A Seção 201 permite a adoção de salvaguardas temporárias, como tarifas ou cotas, para proteger indústrias domésticas. Já a Seção 301 autoriza retaliações contra práticas consideradas desleais por parceiros comerciais. Há ainda a Seção 232, da Lei de Expansão Comercial de 1962, que possibilita tarifas por motivos de segurança nacional, e a Seção 338, da Lei Tarifária de 1930, que prevê sobretaxas de até 50% contra países acusados de discriminar produtos americanos.

Trump reconheceu que alguns acordos firmados sob a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) “não são mais válidos”, mas indicou que eventuais impedimentos judiciais serão contornados com novas medidas — inclusive com a possibilidade de alíquotas mais elevadas.

Segundo reportagem do Financial Times, Brasil e China deverão registrar as maiores reduções nas tarifas médias — de 13,6 e 7,1 pontos percentuais, respectivamente — embora ambos continuem sob pressão de Washington, acusados de manter “práticas comerciais injustas”.

Vale destacar que as tarifas impostas a setores específicos, como aço, alumínio e automóveis — fundamentadas em dispositivos legais distintos — permanecem em vigor e não foram afetadas pela recente decisão judicial.

No domingo, a Comissão Europeia cobrou que os Estados Unidos respeitem os termos do acordo comercial firmado no ano passado e detalhem com “total clareza” quais medidas pretendem adotar.

A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, alertou para os efeitos da instabilidade regulatória. “É preciso conhecer as regras de trânsito antes de entrar no carro. O mesmo se aplica ao comércio e aos investimentos. As pessoas querem fazer negócios, não se envolver em disputas judiciais”, afirmou.

Para Gregory Daco, economista-chefe da EY-Parthenon, o ambiente atual dificulta qualquer planejamento empresarial. “As tarifas são suspensas, depois reaparecem em 10%, no dia seguinte sobem para 15%. Sem previsibilidade, atividade, contratações e investimentos acabam sendo prejudicados”, avaliou.


Geopolítica – Irã e Estados Unidos

Após o presidente Donald Trump ter sinalizado na última sexta-feira a possibilidade de autorizar um ataque militar contra o Irã em meio às crescentes tensões em torno do programa nuclear, o governo de Teerã tem mantido aberta a porta para uma solução diplomática.

O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou neste domingo que ainda existe “uma boa chance” de que as negociações cheguem a um acordo pacífico sobre o programa nuclear, ressaltando que Teerã segue trabalhando em uma proposta formal que pode ser apresentada aos enviados dos EUA em Genebra, na Suíça, na próxima quinta-feira. O encontro envolverá o enviado especial americano Steve Witkoff.

Tanto o Irã quanto os mediadores têm expressado otim­ismo cauteloso. O ministro omanense dos Negócios Estrangeiros, Badr al-Busaidi, confirmou que a próxima rodada de conversas está confirmada, destacando um “impulso positivo” para avançar nas discussões.

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, também enfatizou nas redes sociais que as trocas de propostas recentes foram “práticas e encorajadoras”, embora tenha sublinhado que Teerã permanece preparado para todas as eventualidades, inclusive cenários adversos.

Fontes ligadas às negociações indicam que o Irã está disposto a considerar concessões no seu programa nuclear em troca de suspensão de sanções e reconhecimento do direito de enriquecimento de urânio para fins pacíficos.

O governo de Teerã também sinalizou disposição para ampliar a cooperação econômica com Washington. Autoridades iranianas indicaram que empresas americanas poderiam atuar como contratadas em projetos estratégicos nos setores de petróleo e gás, abrindo espaço para investimentos relevantes na indústria energética do país — um gesto visto para fortalecer a via diplomática e reduzir o risco de escalada militar.


Europa

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Os principais índices acionários da Europa — EURO50, GER40, GERMID50, ESP35, UK100, FRA40, ITA40 e SWI20 — operam sem direção única nesta segunda-feira, próximos de suas máximas históricas. O mercado monitora os desdobramentos das novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos, após o revés judicial da última sexta-feira, avaliando possíveis impactos sobre cadeias globais e margens corporativas.

A maioria dos setores recua, com o segmento de tecnologia liderando as perdas ao cair 1,3%. Em contrapartida, bancos — mais expostos às economias domésticas e menos sensíveis ao comércio exterior — figuram entre os destaques positivos do dia.

No noticiário corporativo, a Enel avança 3,4% após anunciar a ampliação de seu plano de investimentos para os próximos três anos, com foco em projetos de energia renovável, especialmente na Europa e nos Estados Unidos.

Já a Johnson Matthey despenca cerca de 14% depois de concordar em revisar para baixo o valor de venda de sua divisão de tecnologias de catalisadores para a Honeywell. A decisão veio após desempenho abaixo do esperado da unidade no ano fiscal de 2025, marcado por adiamento de projetos e menor rentabilidade.


Ásia/Pacífico

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Ativos asiáticos negociados na ActivTrades: HKIND JP225 CHINAA50

As bolsas asiáticas começaram a semana sem direção definida, enquanto as moedas da região avançaram, refletindo a pressão sobre o dólar em meio às incertezas envolvendo a política comercial dos Estados Unidos. Os mercados da China e do Japão permaneceram fechados devido a feriados locais, reduzindo a liquidez na região.

Na Coreia do Sul, o Kospi KOSPI subiu 0,7% e renovou máxima histórica, sustentado por um ambiente doméstico ainda favorável a ativos de risco e fluxo estrangeiro consistente.

Em Taiwan, no retorno do feriado, o TWSE 50 TW50 avançou 0,4%. As ações da Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC) recuaram 0,8%, limitando ganhos mais expressivos no índice.

O principal destaque positivo veio de Hong Kong, onde o Hang Seng HSI disparou 2,5%, com apenas seis empresas encerrando o pregão no campo negativo.

Já na Austrália, o ASX 200 XJO caiu 0,6%. O setor de mineração foi o único a registrar desempenho positivo, enquanto os demais segmentos pressionaram o índice para baixo.

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