Decisão de Juros do Banco Central do Brasil (BCB)

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O Banco Central do Brasil deverá manter a taxa Selic em 15% na reunião desta quarta-feira, pela quinta vez consecutiva, segundo 92% dos economistas consultados pela Reuters. Entre as demais estimativas, 5% projetam um corte de 25 pontos-base, para 14,75%, enquanto 3% apostam em uma redução mais agressiva de 50 pontos-base, para 14,50%.

Apesar da expectativa majoritária de manutenção nesta reunião, o mercado já precifica o início do ciclo de flexibilização monetária em março. Cerca de 83% dos analistas acreditam que o primeiro corte ocorrerá no próximo encontro, com 53% atribuindo maior probabilidade a uma redução de 50 pontos-base, e 47% a um corte de 25 pontos-base.

Caso confirmado, esse movimento marcaria a primeira redução da Selic desde maio de 2024, quando o Comitê de Política Monetária (Copom) adotou uma postura claramente restritiva, elevando o custo do crédito e mantendo os juros em patamar elevado como resposta ao avanço da inflação.

Segundo relatório do Citi, “a queda nas expectativas de inflação, a desaceleração da inflação corrente e nossa expectativa de continuidade desse processo criam espaço para que o Copom inicie o ciclo de cortes em março.”

A inflação anual encerrou o ano passado em 4,26%, reforçando a trajetória de desaceleração e ficando abaixo do teto de 4,5% da meta, cujo centro é 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual.

Diante desse cenário, cresce a expectativa de que o Copom introduza ajustes sutis no comunicado que acompanha a decisão desta semana, preparando o terreno para cortes futuros. Os trechos mais monitorados pelos traders incluem:
a referência a uma “política monetária em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado”, especialmente o termo “bastante”;
e a afirmação de que o BC “não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso julgue apropriado”.


A remoção ou suavização dessas expressões pode ser interpretada como um sinal claro de flexibilização iminente, aumentando a convicção do mercado quanto ao início do ciclo de cortes.

No campo macroeconômico, as projeções indicam crescimento do PIB de 1,8% em 2026, abaixo da estimativa de 2,3% para 2025, refletindo os efeitos defasados da política monetária restritiva. Para a inflação, a expectativa é de IPCA em torno de 4%, enquanto a Selic poderia encerrar o ano em 12,5%.

O principal desafio do Banco Central permanece sendo o equilíbrio entre o processo de desinflação e o ambiente fiscal e político. Medidas recentes de estímulo ao consumo, adotadas no final de 2025 e início de 2026, ampliam os riscos de desancoragem inflacionária, especialmente em um contexto de corrida eleitoral, com o presidente Lula buscando um quarto mandato.

No mês passado, o governo autorizou que 14 milhões de trabalhadores demitidos sacassem R$ 7,8 bilhões de um fundo público de seguro-desemprego, medida que adiciona estímulo à demanda no curto prazo e complica a tarefa do Copom de manter a inflação sob controle enquanto inicia, de forma cautelosa, o ciclo de cortes.

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