Morning Call - 18/06/2026 - Acordo EUA e Irã Assinado

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Agenda de Indicadores:
8:00 – UK – Decisão de Taxa de Juros do BoE
9:30 – USA – Pedidos por Seguro-Desemprego
9:30 – USA – Índice de Atividade Industrial do Fed Filadélfia


Brasil

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Ativos brasileiros negociados na ActivTrades BRA50 $ACTIVTRADES:MINDOLM2026


Copom reduz Selic, fala em inflação mais alta, mas mantém porta aberta para novos cortes

O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano, decisão amplamente esperada pelo mercado. O que surpreendeu, porém, foi a ausência de qualquer indicação explícita de encerramento do ciclo de flexibilização monetária.

O comunicado trouxe um tom mais cauteloso em relação ao cenário econômico. O Banco Central destacou a força da atividade econômica no primeiro trimestre, a resiliência do mercado de trabalho, a deterioração das expectativas de inflação e os riscos adicionais decorrentes das tensões geopolíticas no Oriente Médio.

Refletindo esse cenário, a autoridade monetária elevou sua projeção para o IPCA no quarto trimestre de 2027 — atual horizonte relevante da política monetária — de 3,5% para 3,7%. Além disso, ampliou o balanço de riscos inflacionários, passando a destacar quatro fatores de alta contra três fatores de baixa.

Entre os riscos altistas, o Copom passou a mencionar explicitamente a possibilidade de estímulos ao consumo sustentarem um crescimento da economia acima do seu potencial, reduzindo a eficácia dos mecanismos tradicionais de transmissão da política monetária.

Em um cenário convencional, a combinação de atividade aquecida, inflação mais elevada e expectativas desancoradas poderia justificar uma interrupção imediata do ciclo de cortes. No entanto, o Comitê optou por manter flexibilidade para as próximas reuniões.

Segundo o BC, a manutenção prolongada dos juros em patamar restritivo já produziu efeitos relevantes sobre a atividade econômica, mas a intensidade total desse processo ainda dependerá da evolução dos indicadores nos próximos meses.

A principal mudança conceitual do comunicado foi a sinalização de uma extensão do horizonte relevante de análise para o início de 2028. O Banco Central argumentou que a trajetória de juros necessária para trazer a inflação à meta no fim de 2027 poderia levar as projeções a ficarem abaixo da meta logo após esse período.

Dessa forma, a instituição passou a defender trajetórias alternativas que permitam a convergência da inflação para a meta no início de 2028 com menor volatilidade da atividade econômica.

Na prática, o comunicado reconhece um cenário inflacionário mais desafiador, mas evita fechar a porta para novos cortes da Selic. Ao não fornecer um guidance explícito de pausa, o Copom preserva liberdade para continuar ajustando a política monetária de acordo com a evolução dos dados econômicos e das expectativas de inflação.


Estados Unidos

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Os futuros dos principais índices de Nova York — USA500, USAIND, USATEC e USARUS — avançam nesta sexta-feira, impulsionados pela melhora do sentimento global após a assinatura do acordo provisório entre Estados Unidos e Irã (Veja Abaixo), reduzindo parte das preocupações geopolíticas que dominaram os mercados nos últimos meses e ajudando a compensar os receios em torno de uma possível postura mais restritiva do Federal Reserve sob a liderança de Kevin Warsh.

Os mercados haviam encerrado a sessão de quarta-feira em queda depois que o Fed revisou para cima suas projeções para a trajetória dos juros. Durante sua primeira coletiva como presidente da instituição, Kevin Warsh reforçou o compromisso do banco central com o combate à inflação, enquanto outros membros do comitê indicaram a possibilidade de novas altas dos juros ainda este ano.

Atualmente, os contratos futuros de juros apontam para uma probabilidade próxima de 50% de uma elevação de 25 pontos-base já na reunião de setembro, acima dos cerca de 27% observados antes da divulgação das novas projeções do Fed.

Segundo Mark Haefele, diretor de investimentos da UBS Global Wealth Management: "A combinação de uma nova liderança no Federal Reserve, projeções mais conservadoras e divergências dentro do próprio comitê sugere um ambiente de maior volatilidade para os mercados. O cenário mais provável continua sendo de manutenção dos juros por um período prolongado, até que haja maior clareza sobre o comportamento da inflação e da atividade econômica."

Apesar do tom mais cauteloso do Fed, a forte queda dos preços do petróleo continua oferecendo algum alívio aos traders. O Brent permanece nos menores níveis em mais de três meses, reduzindo parte das preocupações com novas pressões inflacionárias.

O sentimento também foi favorecido pela divulgação do texto do acordo provisório firmado entre Washington e Teerã. O documento formaliza a extensão por mais 60 dias do cessar-fogo firmado em abril e cria uma estrutura para a continuidade das negociações em busca de um acordo definitivo para encerrar o conflito.

No mercado corporativo, a Intel lidera os ganhos do pré-mercado, avançando 9%, após o presidente Donald Trump afirmar que a Apple concordou em colaborar com a companhia no desenvolvimento e fabricação de chips em território americano.

O movimento beneficia todo o setor de tecnologia. As ações da Nvidia avançam cerca de 1%, enquanto Micron Technology e Marvell Technology registram ganhos próximos de 4%.

A recuperação recente dos mercados americanos tem sido sustentada por uma combinação de fatores: crescimento econômico resiliente, expansão dos ganhos para além das grandes empresas de tecnologia, queda dos preços da energia e melhora das perspectivas geopolíticas.

Os dados divulgados na quinta-feira reforçaram essa percepção. As vendas no varejo dos Estados Unidos cresceram acima das expectativas em maio, impulsionadas principalmente pelas vendas de veículos e pelo consumo das famílias, mesmo em um ambiente de preços de combustíveis ainda elevados.

Com isso, os principais índices caminham para encerrar mais uma semana no campo positivo, enquanto investidores monitoram os próximos desdobramentos das negociações entre Estados Unidos e Irã, a evolução da inflação e os sinais do Federal Reserve sobre os próximos passos da política monetária.

O pregão também ocorre na véspera do feriado de Juneteenth nos Estados Unidos, o que tende a reduzir gradualmente a liquidez dos mercados ao longo da sessão.


Versão preliminar de 14 pontos do acordo EUA-Irã

1. O Irã e os Estados Unidos, declaram, mediante a assinatura deste Memorando de Entendimento, o fim imediato e permanente da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano, e comprometem-se a não iniciar, a partir de agora, qualquer ação hostil um contra o outro, e a abster-se da ameaça ou do uso da força um contra o outro. O acordo final confirmará as disposições deste Artigo e dos demais Artigos.

2. O Irã e os Estados Unidos comprometem-se a respeitar a soberania e a integridade territorial um do outro e a abster-se de interferir nos assuntos internos um do outro.

3. O Irã e os Estados Unidos comprometem-se a negociar e chegar a um acordo final num prazo máximo de 60 dias, prorrogável por mútuo consentimento.

4. Imediatamente após a assinatura deste Memorando de Entendimento, os Estados Unidos suspendem o bloqueio naval e impedem qualquer interferência ou obstrução contra a República Islâmica do Irã, e restabelecem o tráfego marítimo em sua capacidade total em um prazo máximo de 30 dias; o tráfego de navios será proporcional ao volume de tráfego pré-guerra por parte da República Islâmica do Irã. Os Estados Unidos também se comprometem a retirar suas forças das áreas circundantes em até 30 dias após o acordo final.

5. Ao assinar este Memorando de Entendimento, o Irã tomará medidas imediatas para garantir que a circulação de navios mercantes do Golfo Pérsico para o Mar de Omã e vice-versa seja retomada, dentro de 30 dias, ao volume anterior à guerra, levando em consideração a necessidade de remoção de obstáculos técnicos e neutralização de minas pelo Irã.

6. Os Estados Unidos comprometem-se, juntamente com seus parceiros regionais, a criar um plano abrangente, acordado por ambas as partes, para a reabilitação e o desenvolvimento econômico do Irã, garantindo um financiamento de pelo menos US$ 300 bilhões. O mecanismo de implementação deste plano, como parte do acordo final, será formulado em 60 dias.

7. Os Estados Unidos comprometem-se a pôr fim, num cronograma a ser acordado como parte do acordo final, a todos os tipos de sanções atualmente impostas ao Irã, incluindo as resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas e do Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), bem como a todas as sanções unilaterais dos EUA, tanto primárias quanto secundárias.

8. O Irã reitera que jamais produzirá armas nucleares. O Irã e os Estados Unidos concordaram que o destino do material enriquecido e o destino de todas as demais questões nucleares mutuamente acordadas, incluindo as necessidades nucleares do Irã, serão adequadamente abordados em um acordo final; o acordo final confirmará as disposições deste Artigo.

9. O Irã e os Estados Unidos concordam que, enquanto não houver um acordo final, manterão o status quo: o Irã manterá o status quo em seu programa nuclear, e os Estados Unidos não imporão novas sanções ao Irã nem reforçarão suas forças na região.

10. Os Estados Unidos comprometem-se a que, imediatamente após a assinatura deste Memorando de Entendimento e até a data do levantamento das sanções, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos emitirá isenções para as exportações de petróleo bruto iraniano, produtos petroquímicos e seus derivados, e todos os serviços relacionados, incluindo serviços bancários, de seguros, de transporte e similares.

11. Os Estados Unidos comprometem-se a que, tendo em conta o progresso das negociações para um acordo final, os fundos e ativos congelados ou restritos do Irã sejam liberados e disponibilizados integralmente. Esses fundos, quer estejam na conta principal ou tenham sido transferidos, serão utilizados para qualquer pagamento final ao beneficiário determinado pelo Banco Central do Irã e estarão totalmente disponíveis para uso. Os Estados Unidos comprometem-se a emitir todas as autorizações e licenças necessárias com base nisso.

12. A República Islâmica do Irã e os Estados Unidos concordam que será estabelecido um mecanismo de implementação para supervisionar a implementação bem-sucedida e o compromisso futuro com o Acordo Final.

13. Após a assinatura deste Memorando de Entendimento e mediante o recebimento de garantias quanto ao início da implementação dos Artigos 4, 5, 10 e 11 deste Memorando de Entendimento, e à continuidade da implementação dessas medidas, o Irã e os Estados Unidos iniciarão negociações para um Acordo Final exclusivamente com relação aos Artigos restantes.

14. O acordo final será aprovado por meio de uma resolução vinculativa do Conselho de Segurança da ONU.


Europa

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Os principais índices acionários da Europa — EURO50, GER40, GERMID50, ESP35, UK100, FRA40, ITA40 e SWI20 — operam sem direção definida nesta quinta-feira, enquanto os traders avaliam as sinalizações mais agressivas do Federal Reserve em relação à inflação e aos juros, ao mesmo tempo em que a queda dos preços do petróleo ajuda a reduzir parte das preocupações com pressões inflacionárias globais.

O índice Euro Stoxx 50 EURO50 avança cerca de 0,2%, acompanhado pelo DAX GER40, da Alemanha, que também sobe aproximadamente 0,2%. Já o FTSE 100 UK100, do Reino Unido, recua perto de 1%, com os traders adotando cautela antes da decisão de política monetária do Banco da Inglaterra.

No campo macroeconômico, os dados do mercado de trabalho britânico surpreenderam positivamente. Os salários cresceram acima das expectativas no trimestre encerrado em abril, enquanto a taxa de desemprego recuou, reforçando a percepção de resiliência da economia britânica.

O Banco da Inglaterra acompanha de perto a evolução dos salários para avaliar se o choque provocado pela alta dos preços da energia poderá gerar efeitos secundários sobre a inflação. A principal preocupação da autoridade monetária é que trabalhadores consigam negociar reajustes salariais mais elevados, alimentando novas pressões inflacionárias nos próximos meses.

Embora o consenso do mercado continue apontando para a manutenção da taxa básica em 3,75%, com expectativa de uma votação de 7 a 2 dentro do Comitê de Política Monetária, os números divulgados hoje podem fortalecer a posição dos membros mais preocupados com a inflação e favoráveis a uma postura mais restritiva.

Entre os destaques corporativos, as companhias aéreas seguem se beneficiando da queda recente dos preços do petróleo. As ações da Lufthansa avançam 1,7%, enquanto a Air France registra alta de 3,1%.

No setor financeiro, a Generali sobe 1,3% após notícias de que o UniCredit pretende ampliar sua participação na instituição por meio da Delfin, holding controlada pela família Del Vecchio. As ações do UniCredit avançam 0,3%.

O setor de tecnologia também contribui para sustentar os índices europeus. As fabricantes de semicondutores Infineon e Aixtron registram ganhos de 3,8% e 2,2%, respectivamente, acompanhando a recuperação do segmento global de chips.

Entre os destaques positivos do pregão, a Airbus sobe 3,3% após receber uma recomendação mais favorável por parte da Kepler, reforçando o otimismo em torno das perspectivas da fabricante aeronáutica europeia.

Na ponta negativa, a Tesco recua 2,7% depois de reportar uma desaceleração no crescimento das vendas do primeiro trimestre, aumentando as preocupações sobre o ritmo de consumo no Reino Unido.

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